Mas a mais proeminente tecnologia naquele dia, sem dúvida, era o complexo do World Trade Center. Após o ataque, as Torres Gêmeas do WTC passaram a simbolizar não apenas o dia em si, mas também uma comoção em pessoas no mundo todo.
![]() Foto cortesia Glass, Steel & Stone |
Neste artigo, lembramos as Torres Gêmeas por tudo o que elas significaram: a representação de um ideal e um lembrete desconcertante de nossa própria vulnerabilidade.
Origens
A idéia original para esse complexo de edifícios em Nova York é creditada a David Rockefeller, um dos netos do industrial John D. Rockefeller. Na verdade, a idéia foi proposta logo após a Segunda Guerra Mundial, uma década antes do envolvimento de Rockefeller, mas foi ele quem realmente deu andamento ao projeto.
Entre os anos 50 e 60, enquanto trabalhava como presidente do Chase Manhattan Bank, David Rockefeller se dedicou a revitalizar a baixa Manhattan. Ele esperava energizar a área com novas construções, do mesmo modo que seu pai havia revitalizado a Manhattan central nos anos 30, com o Rockefeller Center. Como parte de seu plano, ele propôs um complexo dedicado ao comércio internacional a ser construído na extremidade leste da Wall Street. Rockefeller acreditava que o centro comercial (que incluiria espaço para escritórios e hotéis, uma galeria de exposições, um centro de valores e câmbio e inúmeras lojas) seria justamente o que incitaria o crescimento econômico da área.
![]() Foto cortesia NARA As Torres Gêmeas foram além do conceito original para o WTC |
Por volta dos anos 60, ele certamente teve algo a ganhar com o projeto do WTC. Ergueu apenas uma torre de 60 andares do Chase Manhattan Bank no distrito financeiro, com a intenção de aumentar o valor do investimento do banco. Mas ele também foi impulsionado pelo espírito da unidade internacional: um centro comercial mundial aproximaria pessoas do mundo todo, um ideal nobre para as décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial.
Com a ajuda de seu irmão, Nelson Rockefeller, governador do estado de Nova York naquela época, ele conseguiu envolver The Port Authority of New York (Autoridade Portuária de Nova York). Atualmente conhecida como Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey (em inglês), essa é uma instituição governamental que encabeça projetos públicos na área do porto de Nova York e Nova Jersey. Apesar de a Autoridade Portuária ser uma organização pública, ela atua como uma corporação privada, cobra seus "clientes" diretamente e obtém lucros por meio de investimentos, em vez de cobrar impostos.
Desde sua criação, em 1921, a Autoridade Portuária se preocupava principalmente com pontes, túneis, aeroportos e também com o transporte rodoviário. Nunca havia se comprometido com algo do porte do World Trade Center, mas, na época, era a escolha mais lógica para encabeçar o projeto. Havia a rara combinação de conexões do governo, recursos e a força do domínio eminente.
Rockefeller contratou os primeiros projetos para o WTC, em 1958. A Autoridade Portuária se envolveu em 1960 e os planos iniciais se tornaram públicos em 1961. Depois disso, o empreendimento demorou um pouco para começar a ser construído porque, durante anos, a Autoridade Portuária trabalhou com afinco enfrentando problemas fiscais, problemas de relações públicas e disputas legais, sem mencionar a difícil tarefa de desapropriar centenas de escritórios e residências que ocupavam o local do edifício.
Com todas as negociações e conflitos logísticos, a escavação não começou antes de 1966. Naquela época, o projeto e o escopo do empreendimento tinham mudado completamente, como veremos na próxima seção.