Críticas à OMS

Autor: 
Nancy Lewis

Embora os críticos da OMS apóiem seu foco na prevenção e erradicação de doenças, muitos argumentam que o sucesso muitas vezes tem sido enganoso porque a organização é burocrática e centralizada demais para direcionar os fundos e esforços de maneira efetiva e eficiente. A OMS enfrentou fortes críticas devido à sua suposta ineficiência, e os últimos diretores-gerais alegaram que melhorias na efetividade e eficiência seriam prioridade.

Mais polêmico do que seu foco na prevenção de doenças infecciosas foram seus esforços na área da saúde pública. A saúde pública (também conhecida como saúde social e medicina social) baseia-se no pressuposto de que a sociedade como um todo deve tentar melhorar a saúde de sua população por meio de:

  • cuidados médicos acessíveis (médicos, enfermeiras, clínicas, equipamentos de diagnóstico, remédios, etc.)
  • ambientes saudáveis (limpeza na água, ar, alimentos, etc.)
  • bom estilo de vida individual e coletivo (comer frutas e vegetais, não fumar, praticar exercícios, etc.)

O compromisso da OMS com a saúde pública é sagrado na sua constituição, que (como já mencionado anteriormente) reconhece que saúde "não é simplesmente a ausência de doenças ou enfermidades", mas também "um estado de completo bem-estar físico, mental e social". Mas há os que vêem essa definição ampla como "totalitária" e argumentam que ela leva a OMS a agir em áreas que não lhe competem.

Um exemplo recente do trabalho da OMS em áreas nas quais os críticos dizem estar além de seu escopo é a adoção unânime, na reunião da Assembléia Mundial de Saúde de 2003, de um tratado com o objetivo de conter as mortes e doenças relacionadas ao tabaco. O acordo, chamado de Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (em inglês), visa a restringir a publicidade, patrocínio e promoção do tabaco; estabelecer controles de rótulo; estabelecer controles de "ar limpo" em ambientes fechados e reduzir o contrabando de tabaco.

Audiência pública da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, em Genebra, outubro de 2000
Foto cedida OMS; Foto de P. Virot
Audiência pública da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, em Genebra, outubro de 2000

Alguns críticos condenam o que eles vêem como a invasão totalitária da OMS nas liberdades e escolhas pessoais, argumentando que as pessoas têm o direito de ter comportamentos de risco, como fumar, se assim desejarem, e que a OMS não tem direito nenhum de legislar sobre eles.

O interessante é que os mesmos argumentos foram usados pelos críticos da vacinação. Quando a prática começou a se espalhar pela Inglaterra, um crítico chamado George Gibbs comparou a vacinação obrigatória controlada pelo estado com "espiões entrando a força no círculo familiar", e a legislação acabou sendo alterada para permitir que "objetores em sã consciência" pudessem recusar a vacinação.

No final das contas, os julgamentos a respeito do papel da OMS são todos baseados em pontos de vista pessoais quanto ao papel de governos globais. Se os esforços no campo da saúde pública são bons para todos ou são draconianos isso é uma questão de interpretação. Mas tanto os críticos quanto os defensores comemoram a erradicação da varíola e torcem pela eliminação de outras doenças perigosas. Nesse ponto, ao menos, a OMS fez uma grande diferença no mundo.

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