Introdução sobre Tutancâmon


Tutancâmon
Ramsés 2.° foi, segundo os historiadores, o mais importante faraó do Egito. Mas quem se tornou o mais popular, polêmico e intrigante dentre os reis egípcios foi Tutancâmon. Não só por ele ter sido um dos mais jovens rei do Egito - ele teria reinado dos dez aos dezenove anos de idade - mas principalmente por ter levado uma vida curta cheia de intrigas políticas e religiosas e por inúmeros mistérios cercarem sua morte, o que inclui a lenda sobre uma terrível maldição aos violadores de seu túmulo.

Sarcófago de Tutancâmon
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Réplica do sarcófago de Tutancâmon
Uma das inúmeras teorias arqueológicas e históricas existentes sobre Tutancâmon defende a ideia de que os antigos egípcios tentaram apagar qualquer vestígio do seu reinado - inclusive o enterrando em um discreto túmulo. Esse fato, no entanto, em vez de levar Tutancâmon ao esquecimento só aumentou o interesse por ele e o tornou junto com Cleópatra muito mais famoso no mundo contemporâneo do que qualquer outro grande rei egípcio.

As razões que levaram Tutancâmon a herdar uma complicada situação política e religiosa num dos maiores e mais poderosos impérios da Antiguidade começaram a surgir décadas antes de seu nascimento. A tentativa de transformar a politeísta religião egípcia numa espécie de monoteísmo tendo como divindade central um deus chamado Aton foi a principal delas e iniciou um período de confusões políticas e religiosas no Egito.

Auxiliado por um vizir e um general, o jovem Tutancâmon acabou pondo a casa em ordem, inclusive retomando o antigo politeísmo em torno do deus solar Amon. Isso, no entanto, não impediu que ele ao morrer, sem deixar herdeiros, fosse enterrado às pressas em um sepulcro destinado a pessoas sem relevância pública, ao que tudo indica numa tentativa de se apagar da memória egípcia qualquer referência à dinastia da qual Tutancâmon fazia parte.

Mas uma das mais importantes descobertas arqueológicas da História, empreendida pelo explorador britânico Howard Carter, em 26 de novembro de 1922, encontrou praticamente intacto o túmulo de Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, e não só revelou informações fundamentais sobre o cotidiano no antigo Egito como também alimentou inúmeras teorias e lendas sobre o faraó, inclusive a da famosa "maldição de Tutancâmon".

Nas próximas páginas, conheça o que os arqueólogos descobriram até agora sobre a vida de Tutancâmon e sobre a história do Egito antigo durante sua época.

10 lugares misteriosos
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Vale dos Reis, no Egito, onde está a tumba de Tutancâmon

A maldição do faraó

"A morte vem em asas para aqueles que entram na tumba de um faraó". Escrita em hieróglifos, essa mensagem estava na porta da tumba do faraó Tutancâmon, encontrada em 1922 pelo explorador inglês Howard Carter, após seis anos de escavações no Vale dos Reis no Egito. A crença de que  tal inscrição anunciava uma maldição que atingiria a todos aqueles que ousassem violar a tumba do faraó só aumentou à medida que várias das pessoas envolvidas na descoberta iam morrendo. A superstição começou a ganhar força quando, alguns meses após encontrarem a tumba, George Edward Herbert, o Lorde Carnarvon - um nobre inglês fanático por automobilismo e egiptologia que financiou a equipe de exploração de Carter e um dos primeiros a conhecer a tumba do faraó - morreu por conta de uma infecção causada pela picada de um mosquito, agravada por uma pneumonia, num hotel no Cairo. Após Lorde de Carnarvon, um importante membro da equipe de Carter, o arqueologista e curador-assistente do Metropolitan Museum of Art, de Nova York, Arthur Mace entrou em coma e morreu sem que os médicos conseguissem diagnosticar sua doença. Nos seis anos seguintes à descoberta, mais de três dezenas de pessoas envolvidas nela morreram, o que tornou a lenda da maldição de Tutancâmon bastante popular.