Piores trânsitos do mundo e o caso de São Paulo
Há várias cidades no mundo, cujo trânsito é considerado extremamente complicado. Algumas dessas cidades são:
- Bangcoc, na Tailândia
- Pequim e Xangai, na China
- Cairo, no Egito
- Calcutá e Chennai, na Índia
- Jacarta, na Indonésia
- São Paulo, no Brasil
- Cidade do México, no México
São vários os fatores que contribuem para o verdadeiro caos no trânsito destas cidades. Um dos principais dos fatores é o crescimento acelerado dos centros urbanos sem o devido acompanhamento da adaptação das vias. Cidades como Calcutá ou Bangcoc contam ainda com um grande número de trabalhadores que vão e voltam de bicicletas e motocicletas, "costurando" entre veículos maiores. Não é surpresa também que a Índia e a China, com imensas populações concentradas em áreas urbanas, tenham péssima reputação no tocante ao tráfego. A seguir, você pode conhecer um pouco da história do trânsito de São Paulo.
São Paulo
A maior cidade da América Latina também tem o maior trânsito do continente. Entre as causas desse tráfego intenso, que faz
38% dos motoristas gastarem mais de uma hora por dia para se locomover (pesquisa Datafolha de 2004), está o crescimento populacional sem o acompanhamento do aumento de vias. Segundo a
Associação Nacional de Transportes Públicos, em 1970, São Paulo tinha 14 mil km de vias públicas. No início de 2007, eram 15,5 mil km de ruas a avenidas. Enquanto isso, a frota paulistana passou de 900 mil veículos em 1970 para 5,9 milhões em 2007.
Essa situação causa um prejuízo de R$ 2 bilhões por ano, segundo a mesma Associação Nacional de Transportes Públicos. E a cidade vive batendo recordes de congestionamento, como no dia 11 de outubro de 2007, véspera do feriado de
Nossa Senhora Aparecida, quando foram registrados 220 km de lentidão. Além da proximidade de feriados, chuvas e conseqüentes enchentes são fatores que fazem a cidade bater recordes de quilômetros parados.
Muitas soluções foram tentadas para diminuir o problema na cidade. Uma delas, extremamente polêmica, é o
rodízio de veículos, medida usada em outras localidades como a Cidade do México. Além disso, vários viadutos foram construídos para escoar o tráfego ao longo dos anos. Nos anos 50, sugiram as
marginais Tietê e Pinheiros, beirando dois dos principais rios da cidade. Nos anos 70, foi inaugurado o
Minhocão, que passa por cima da avenida São João, no centro, ligando as zonas Leste e Oeste. Uma das obras mais recentes e ainda em andamento, é o
Anel Viário, que pretende retirar das marginais e outras vias os veículos que chegam na cidade pelas rodovias e são obrigados a atravessar boa parte da malha urbana para chegar a outra rodovia. Além disso, a partir dos anos 80, começaram a surgir os primeiros
corredores de ônibus, cujas construções se intensificaram nos últimos anos. Exclusivos para tráfego de ônibus e táxis com passageiros, os corredores tentam disciplinar a locomoção desses veículos, priorizando o fluxo de veículos para transporte público.
Todas essas obras, no entanto, sofreram com problemas de f
alta de planejamento, inversão de prioridades e superfaturamento. Um dos mais emblemáticos casos foi a construção do
Fura-Fila, chamado atualmente de Expresso Tiradentes. Iniciado em 1997, o projeto acabou apenas em 2007, depois de quatro administrações municipais. O Fura-Fila consiste em um viaduto expresso para circulação de ônibus por cima da avenida do Estado, ligando o centro à periferia da Zona Leste, mais especificamente, à Cidade Tiradentes. A falta de planejamento é clara. Primeiro, eram cerca de 8 km. A obra acabou com cerca de 32 km. Muito criticado, no início do projeto, por não levar nada a lugar nenhum, o Fura-Fila acabou chegando à periferia, depois de várias mudanças de projetos. Na administração Pitta, o idealizador do projeto, houve várias acusações de superfaturamento. De qualquer modo, o projeto, que no início iria custar R$ 140 milhões, terminou em R$ 300 milhões, mesmo os trens tendo sido substituídos por ônibus. Assim, São Paulo convive com sérios problemas de locomoção para quem trabalha e mora na cidade. Mas, há cidades brasileiras, que conseguiram um bom planejamento de transporte, tão eficiente que virou modelo no Brasil e no resto do mundo. É o caso de Curitiba, cuja história, você pode conhecer na próxima página.