Controle de trânsito urbano


Foto John Mottern/Getty Images
O "Grande Buraco," de Boston, um projeto de US$14,6 bilhões, realizado para aliviar o tráfego por meio da criação de uma estrada de 5,7 km sob a artéria central da cidade.­

Além do congestionamento nas estradas, as ruas das cidades têm seus próprios problemas, particularmente à medida que as populações aumentam.

Engenheiros civis têm de levar muitos fatores em consideração ao projetar ruas. Por exemplo, um cruzamento mal projetado pode ser inconveniente ou inseguro. Considere todos os diferentes elementos aos quais um engenheiro civil precisa prestar atenção: a linha de visão do motorista, o impacto que o cruzamento terá sobre as ruas circundantes, a quantidade de tráfego que o cruzamento provavelmente terá, a melhor forma de administrar o transporte público, o fluxo de pedestres do local e outras questões.

Outro desafio é o alastramento suburbano: vizinhanças que eram menos populosas podem experimentar um surto de crescimento acompanhado por novas necessidades nos projetos da via e na ampliação do transporte público. ­

Além disso, boa parte das cidades tem um sistema de vias bem estabelecido, criado, por exemplo, em épocas que havia menos carros rodando, o que torna mudanças extensas impraticáveis ou mesmo impossíveis. É fácil fazer sugestões para resolver os problemas de tráfego de uma cidade, mas implementar as soluções pode ser proibitivamente caro. Talvez a maneira mais fácil de impactar o tráfego de uma cidade seja através dos semáforos.

Geralmente os semáforos funcionam segundo um sistema sincronizado, um sistema de sensor ou uma combinação dos dois. Os sistemas sincronizados seguem uma programação ajustada independentemente das condições do tráfego (ainda que essa programação possa mudar durante o decorrer do dia). Os sistemas de sensor detectam os carros quando param no cruzamento, o que aciona uma mudança no semáforo. Uma rede de sistemas de tráfego avançado sinaliza para um sistema de computador central. Um bom sistema usa sinais que são sincronizados para que o fluxo de tráfego permaneça o mais constante possível. Mesmo um sistema de coordenação de tráfego bem projetado, porém, somente reduzirá a morosidade do tráfego em aproximadamente 1% [fonte:TTI].

Outra maneira de controlar a dispersão do tráfego dentro da cidade é instituir proibições de conversão e zonas auto-restritas. As proibições de conversão significam que você não pode virar em determinados cruzamentos ou pontos em uma via, o que canaliza o tráfego para rotas alternativas. As zonas auto-restritas são áreas nas quais os carros não são permitidos de forma nenhuma, geralmente para facilitar o tráfego dos pedestres ou preservar uma área histórica. Em Boston,por exemplo, você pode encontrar o Downtown Crossing Project, uma zona auto-restrita que abrange 12 quarteirões da cidade [fonte: TTI]. No Brasil, várias cidades, principalmente no centro, as administração pública cria calçadões para evitar o fluxo de veículos como Curitiba e São Paulo. Cidades européias também adotam essa política, inclusive, incentivando o uso de bicicletas. Aliás, em Curitiba, tem vários ciclovias contornando a cidade. Em Londres e Berlim, os ciclistas podem usar o metrô para distâncias mais longas. Em São Paulo, as bicicletas são permitidas no metrô aos finais de semana.

Algumas cidades latino-americanas como São Paulo e Cidade do México adotam o rodízio de carros com dois objetivos: redução de trânsito e diminuição da poluição.

Especialistas em tráfego como Alistair Darling, secretário de Estado britânico para Comércio e Indústria, sugere que o meio mais eficaz de reduzir o congestionamento, tanto em estradas quanto em ruas, é instituir preços de congestionamento. Sua filosofia é a de que os motoristas demandam um custo em uma via (por meio de desgaste e impacto ambiental), e que eles devem pagar um preço para compensar o custo. Em outras palavras, você pagaria para dirigir nas ruas da cidade. Isso é semelhante ao conceito dos pedágios das estradas, mas um pouco mais complicado.

Um verdadeiro sistema de preço por congestionamento monitoraria cada motorista à medida que ele rodasse pelas ruas da cidade usando um sistema eletrônico de sensores. Cada carro teria um identificador eletrônico único para o veículo, similar a uma etiqueta de identificação de radiofreqüência. As taxas variariam durante todo o dia, geralmente atingindo o ponto mais alto perto da hora do rush. Dirigir nas ruas da cidade durante esse período resultaria em multa. Como não existe nenhum sistema de preço de congestionamento, não existem taxas específicas ou técnicas de coleta de multa para discutirmos neste momento. Os críticos dos sistemas de preço de congestionamento apontam que tal sistema provavelmente seria uma impossibilidade política porque os motoristas já se acostumaram a não pagar para dirigir nas ruas, além de poder sern considerado inconstitucional por inibir o direito básico de ir e vir. Um sistema similar em Seul, na Coréia, enfrentou a oposição pública maciça. [fonte: IGES]. Em São Paulo, há projetos de pedágio nas marginais para diminuir o trânsito, o que até agora não foi implantado.

Na próxima seção, veremos as maneiras como você pode ajudar a reduzir o congestionamento nas cidades.

­­