Como funciona o trânsito

Autor: 
Jonathan Strickland

Os engarrafamentos contribuem significantemente para a poluição
Foto The Eng Koon, AFP, Getty Images
Engarrafamento em Beijing, que é uma
das piores cidades em termos de tráfego.

Você já parou para pensar em quantas horas passou sentado em um engarrafamento? De acordo com o Texas Transportation Institute (TTI) da Universidade A&M do Texas, um norte-americano pode passar até duas semanas dentro de seu carro anualmente [fonte: Reason Foundation].

No Brasil, em algumas cidades, não é diferente . Em São Paulo, por exemplo, uma pesquisa do Instuto Datafolha revelou que, em 2004, 38% dos motoristas gastavam mais de uma hora diária no trânsito.

Já o estudo norte-americano de 2007 revelou que em 28 áreas urbanas, incluindo cidades como Boston, Detroit, Atlanta, São Francisco, Orlando e  Minneapolis-St. Paul, os motoristas passam uma semana inteira no trânsito anualmente. Em Los Angeles, o parâmetro do país para congestionamento de tráfego, esse índice pode chegar até a quase duas semanas.

Revisão do código

Uma das novidades da reforma que está sendo promovida no Código de Trânsito Brasileiro é o endurecimento da lei seca, que penaliza o motorista flagrado dirigindo alcoolizado.

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O tráfego acarreta sérias conseqüências e não apenas para seu bem-estar. O custo estimado do tráfego nos Estados Unidos para 2005 foi de mais de US$78 bilhões (em combustível e tempo perdido), e isso não leva em conta fatores como danos ambientais ou custos de saúde por causa da poluição do ar[fonte: TTI]. De fato, os americanos compraram 2,9 bilhões de galões de gasolina por causa dos congestionamentos. O custo anual médio para um motorista foi de US$710 [fonte: TTI].

No Brasil, a Associação Nacional de Transportes Públicos calculou em R$ 2 bilhões anuais o prejuízo causado pelo trânsito na região metropolitana de São Paulo.

Muitos fatores podem contribuir para os congestionamentos, mas a explicação mais básica é a de que o número de motoristas tentando usar a mesma estrada é tão alto que ultrapassa a capacidade de automóveis da estrada. Esta é uma explicação bastante simples: carros em excesso em um único local causam tráfego. Infelizmente, as razões subjacentes para carros em excesso num mesmo local ao mesmo tempo são mais complicadas. Os departamentos universitários e os engenheiros civis dedicam centenas de horas e requerem milhões de dólares em financiamento para compreender como o congestionamento de tráfego se forma e o que pode ser feito sobre isso.

Planejadores urbanos, engenheiros civis, grupos de proteção ambiental, associações de moradores, políticos e a população em geral podem ter um impacto significante sobre a maneira como lidamos com os congestionamentos. O tráfego é uma questão muito política e sensível, já que quase todo método proposto para lidar com ele leva consigo uma etiqueta de preço alto, gerando a pergunta: quem paga a conta?

Neste artigo, aprenderemos sobre o congestionamento de tráfego em estradas e ruas e as opções de funcionários municipais e estaduais para lidar com a gestão de tráfego. Veremos as maneiras como você pode ajudar a evitar os emaranhados de tráfego por meio do modo como dirige e dos hábitos de manutenção de veículo. E, nas últimas seções, saberemos quais são as cidades conhecidas por terem os piores tráfegos do mundo, além de conhecer, com mais detalhes, os problemas de São Paulo e o bom exemplo que vêm de Curitiba.

Na próxima seção, veremos o congestionamento em estradas com mais detalhes.

Mais faixas, mais carros

O debate fervoroso entre as pessoas que acreditam que a ampliação das estradas causa mais
congestionamento e aquelas que afirmam que isso ajuda os motoristas a chegar a
seus destinos mais rapidamente tem mais de uma década. Os críticos da expansão das estradas
citam uma teoria chamada demanda latente, que diz que, à medida que uma
auto-estrada se expande para permitir que o mesmo número de motoristas ande mais rapidamente,
outros motoristas, que anteriormente evitavam a estrada porque ela era
um transtorno, optarão por juntar-se aos outros motoristas. Em breve, novos motoristas
se juntam aos motoristas antigos diariamente, anulando qualquer efeito benéfico
da expansão.

Este artigo teve a colaboração de Luís Indriunas e Ana Cristina Neves.