A transição demográfica no Brasil

Autor: 
Paulo Lotufo

Esta análise usa dados recolhidos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Entre o primeiro censo demográfico - realizado em 1872 ainda por determinação imperial - e o mais recente, realizado em 2000, houve alteração radical nos indicadores de mortalidade e natalidade no país, de certa forma semelhante ao já ocorrido em outros países. Na figura 1 temos a evolução das taxas de mortalidade e natalidade em todo o país durante esse período. Como ocorreu em outras sociedades as taxas de mortalidade iniciaram queda bem antes das de natalidade, mais exatamente no censo de 1950, chegando hoje ao patamar de 7 por mil que deverá ser mantido pelo aumento de idosos na população. Por outro lado, as taxas de natalidade foram elevadas até os anos 60. Em 1970 começa o descenso que se acentua nos anos 90. Na figura 2 apresentam-se dados coletados ano a ano entre 1991 a 2003 que reforçam o declínio da natalidade e a estabilidade da taxa de mortalidade no país.

Figura 1: evolução das taxas de natalidade e mortalidade no Brasil de 1872 a 2000.


Figura 2: Evolução das taxas de natalidade e mortalidade entre 1991 e 2003 no Brasil.

Como conseqüência das alterações nas taxas de natalidade e mortalidade e, considerando que o saldo migratório (imigração menos emigração) é desprezível, houve alteração substancial da distribuição etária da população brasileira em um período de 20 anos como pode ser visto nas  figura de 3 a 5, em que se visualiza a proporção da população por faixa etária e sexo no país, conhecida como pirâmide populacional.

Em 1980, a porção mais larga da pirâmide era da faixa de 0-4 anos; em 1991, entre os 5 e 9 anos e, em 2000, entre 15 e 19 anos. Para efeito de comparação, em 2000, um dos países com população mais jovem do mundo, a Guatemala, estava com a maior proporção entre na faixa dos 0 a 4 ano, e um dos países mais velhos, a Itália, com a maior proporção na faixa entre 30 e 34 anos.

Esses dados mostram que o Brasil se encontra na fase III da transição demográfica postulada por Thompson - e  em algumas áreas do país, na fase IV, como mostraremos no caso de São Paulo.

Figura 3: Distribuição etária da população brasileira no Censo Demográfico de 1980.


Figura 4: Distribuição etária da população brasileira no Censo Demográfico de 1991.


Figura 5: Distribuição etária da população brasileira no Censo Demográfico de 2000.