O conceito de transição demográfica

Autor: 
Paulo Lotufo

A transição demográfica foi proposta pelo americano Warren Thompson em 1929 com o termo original “Demographic Transition Model”que pode ser traduzido livremente como a forma de estudar as modificações que acontecem nas populações humanas desde o período das “altas taxas de nascimento (natalidade) e altas taxas de mortalidade” para o período das “baixas taxas de nascimento (natalidade) e baixas taxas de mortalidade”. Thompson já parte do princípio de que as taxas de nascimento e de mortalidade nunca foram constantes no tempo e  que há leis ou regras gerais que se aplicam a todas as populações, que seriam as fases da transição demográfica.  O demógrafo americano estipulou quatro fases: a pré-moderna, a moderna, a industrial madura e a pós-industrial.

A fase I ou pré-moderna acontece em sociedades rurais com taxas de natalidade e mortalidade altas. Há oscilação rápida da população dependendo de eventos naturais como, por exemplo, uma seca prolongada e doenças. Como conseqüência há uma grande população jovem. No Brasil essa fase já foi ultrapassada, mas ainda é a fase de vários países da África.

Na fase II ou moderna estão as sociedades onde houve melhora nas técnicas agrícolas, maior acesso à tecnologia e educação. Nesse momento, as taxas de mortalidade caem rapidamente devido à maior oferta de alimentos e de condições sanitárias. Como conseqüência há aumento da sobrevida e redução das doenças infecto-parasitárias. Por outro lado há aumento da taxa de nascimento com aumento da população. Essa fase também já foi praticamente ultrapassada no Brasil, e somente em algumas áreas do país se observa aumento da natalidade. Um exemplo de país da fase II é a China: a mortalidade caiu, mas a natalidade ainda não.

A fase III ou industrial madura é caracterizada pela urbanização, acesso a contracepção, melhora da renda, redução da agricultura de subsistência, melhora da posição feminina na sociedade e queda da taxa de nascimentos. Em conseqüência há um número inicial grande de crianças, cuja proporção cai rapidamente porque há aumento na proporção de jovens concentrados em cidades, com o decorrente aumento da violência juvenil. O saldo desse período é a tendência à estabilização da população. O Brasil está no ciclo final dessa fase, já próximo do seguinte.

A fase IV ou pós-industrial é o momento de taxas baixas de natalidade e mortalidade e com taxas de fecundidade que ficam abaixo do taxa de reposição populacional. Há três conseqüências: aumento da proporção de idosos; encolhimento da população e necessidade de imigrantes para trabalhar nos empregos de mais baixo salário. É uma situação bastante comum em países da Europa como Itália e Portugal. No Brasil, a cidade de São Paulo é o exemplo típico dessa situação, como veremos a seguir.