A história do tráfico no mundo

Autor: 
Fátima Souza

Desde os anos 60 o consumo de drogas tem crescido e atingido diferentes grupos sociais. Mas, muitas drogas surgiram há muito tempo e, como não eram proibidas, acabavam sendo usadas por muitas pessoas. Algumas delas foram utilizadas durante anos com fins medicinais, como a cocaína. Outras, como a maconha, começam agora a ser utilizada para esses fins.

Na década de 1880, a folha de coca, matéria-prima da cocaína, já era consumida, em forma de chá, por toda a Europa e América do Norte. O chá era conhecido como “melhorador do humor” e sua comercialização era livre. Naquela época, a cocaína passou a ser processada pela indústria farmacêutica para uso como anestésico, estimulante mental e do apetite, afrodisíaco, tratamento da asma e de problemas digestivos. Também foi descoberta sua potência quando injetada e assim o seu uso se popularizou.

Em 1885 surgiu a Coca-Cola, que usava folhas de coca em sua fórmula. Existia também um vinho (Wine-Coca) que era muito popular na Europa e que era feito a base de folhas da planta. Em 1904, foram proibidas todas as bebidas feitas com cocaína e a Coca-Cola mudou sua fórmula. No Brasil, há notícias do uso da cocaína por jovens da burguesia desde 1914, mas foi nos anos 70 que ela entrou pra valer no país. Na década de 90, popularizou-se, sendo consumida não só por pessoas das classes média e alta, mas também por pessoas de menor poder aquisitivo, graças à queda no preço por conta da maior oferta do produto no mercado.

O LSD é uma substância sintética que adquiriu popularidade na década de 60, quando também chegou a ser indicado por médicos no tratamento de algumas doenças.

Já a maconha teve seu cultivo incentivado durante décadas pela indústria que utilizava seus talos para fazer fibras de cordas e têxteis, por causa de sua incrível força e resistência. Também fez, durante séculos, em vários países, parte do arsenal da medicina popular e no final do século 19 foi usada em vários medicamentos produzidos por laboratórios farmacêuticos dos Estados Unidos, sendo indicada como antiespasmódico, analgésico e dilatador de brônquios. No início do século 20, com o aparecimento da morfina, que oferecia melhores resultados, os médicos perderam o interesse pela maconha. No Brasil, ela foi usada como remédio de 1900 a 1930 e era indicada e receitada pelos médicos para insônia, úlcera gástrica, asma e até ronco.

A proibição

Em 1909, aconteceu, em Xangai, a primeira reunião internacional (convocada pelos Estados Unidos) para discutir o uso do ópio e seus derivados. Havia uma preocupação com o excesso do uso da droga no mundo.

Em 1911, aconteceu outra reunião em Haia, na Holanda, e mais uma vez foi discutida a necessidade do combate ao uso do ópio e da cocaína que não atendesse a recomendações médicas. Nesse encontro, todos os países (inclusive o Brasil) assinaram um tratado no qual se comprometeram a coibir o uso das duas drogas.

Em 1914, nos Estados Unidos, é aprovada uma lei interna que proíbe a comercialização e o livre consumo de cocaína e ópio. Em 1924, em mais uma Conferência Internacional, agora em Genebra, que reuniu 45 países, foi discutida também a necessidade de coibir o uso da maconha. Começaram então as perseguições policiais aos usuários de drogas, especialmente de maconha. A partir de 1930, o combate passa a ser mais enérgico em todo o mundo. Em 2007, o Estados Unidos eram o maior consumidor de cocaína do mundo.

Polígono da maconha
Agência Estado
O combate ao narcotráfico endureceu a partir dos anos 30