São Tomás de Aquino: de nobre a dominicano

Seis quilômetros ao norte da cidade de Aquino, no sul da Itália, nasceu em 1225 Tomás de Aquino, o sétimo filho do conde Landolfo d’Aquino. Num castelo sombrio, ele já nasceu duplamente nobre, além de filho de um conde, ele era também sobrinho de Frederico 2, imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

tomás de aquino
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Ruínas do castelo onde nasceu São Tomás de Aquino

Tomás foi para uma escola monástica em Mote Cassino quando tinha cinco anos de idade. De lá seguiu para a Universidade de Nápoles, um importante pólo disseminador do conhecimento clássico que começava a ser redescoberto na Europa. Lá, Tomás conheceu os pensamentos de Aristóteles, principalmente os tratados do filósofo grego sobre lógica.

Enquanto demonstrava ter um intelecto aguçado no uso da lógica aristotélica e ao fazer especulações filosóficas mais profundas, Tomás de Aquino começou a se interessar pela ordem monástica dos dominicanos. De hábitos negros e vivendo à base de esmolas, os dominicanos existiam desde o século anterior para combater a heresia. Mas sua família não viu com bons olhos a adesão de um Aquino a um estilo de vida que o faria perambular pela Itália, sem dinheiro e esmolando. A inteligência de Tomás e as relações importantes de sua família facilmente o colocariam numa posição de prestígio na Igreja. Mas Tomás queria mesmo ser um dominicano. Com 19 anos de idade, ele ingressou na ordem, abandonou os estudos em Nápoles e tentou seguir a pé para Paris, que era o maior centro de estudos da cristandade. Seus irmãos, no entanto, o alcançaram e o levaram para o castelo da família, onde ele ficou preso numa torre até “recuperar o bom senso”.

Aquino ficou na torre do castelo por um ano até o dia em que a irmã o ajudou a fugir. Nesse período, leu a Bíblia e estudou a Metafísica de Aristóteles. Quando fugiu conseguiu finalmente chegar a Paris e depois a Colônia, onde virou um discípulo de Alberto Magno, um sábio que o fez absorver todos os ensinamentos de Aristóteles. Apesar da Igreja naquele momento não gostar dos pensamentos aristotélicos, Tomás de Aquino usou uma interpretação dos pensamentos do filósofo grego para mostrar que a teologia poderia virar uma ciência.

Além de tentar essa conciliação entre teologia e os pensamentos aristotélicos, Tomás de Aquino procurou também resolver a controvérsia que surgira entre os dominicanos e as autoridades universitárias. Graças a influência dos dominicanos na Cúria, o tribunal papal,  a disputa terminou com a conquista da respeitabilidade pelos dominicanos nas universidades e nos tribunais europeus e com a nomeação de Tomás de Aquino como professor na Universidade de Paris. Lá ele iniciaria sua grande obra filosófica ao escrever “Suma contra os gentios”.