Como têm início as teorias da conspiração

Os eventos ocorridos em 11 de setembro de 2001 ainda são lembrados. Zacarias Moussaoui foi condenado por ter participado do planejamento do ataque. Em seu julgamento, um grande número de pessoas relatou os horrores vividos naquele dia. O governo também reproduziu publicamente as gravações da caixa-preta do vôo 93 pela primeira vez. Além disso, o filme "Vôo 93" (em inglês) gerou grande publicidade em torno do assunto. Todos esses eventos confirmaram a "história oficial" de que os terroristas seqüestraram quatro aeronaves e colidiram três delas contra alvos diferentes e os passageiros do quarto vôo fizeram um pouso forçado antes que uma catástrofe maior ocorresse.

Dado o poder da história oficial, a quantidade de evidências a seu favor e o fato de que ela sobreviveu por cinco anos sem qualquer contestação pública aparente, como uma teoria da conspiração sobre o 11 de setembro realmente teve início?

Uma aeronave realizou uma trajetória retilínea se chocando a uma das Torres do WTC
Foto AP/Carmen Taylor
Aeronave chocando-se frontalmente a uma das Torres do WTC, na terça-feira de 11 de setembro de 2001

Para entender como ela teve início, é preciso lembrar os eventos mais importantes de 11 de setembro. A maioria das pessoas está familiarizada com essa história porque ela se repetiu na mídia milhares de vezes e muitas pessoas vivenciaram os fatos enquanto eles aconteciam. Esse é um cronograma dos eventos acontecidos:

  • na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 terroristas de origem islâmica embarcaram em quatro vôos domésticos nos Estados Unidos;
  • 7:59 - o vôo 11 da American Airlines decola do Aeroporto de Logan em Boston;
  • 8:14 - o vôo 175 da United Airlines também decola do Aeroporto de Logan em Boston;
  • 8:20 - o vôo 77 da American Airlines decola do Aeroporto de Dulles em Washington;
  • 8:40 - o vôo 93 da United Airlines decola do Aeroporto de Newark em Nova Jérsei;
  • 8:45 - o vôo 11 atinge a Torre Norte do WTC;
  • 9:03 - o vôo 175 atinge a Torre Sul do WTC;
  • 9:25 - a FAA - organização governamental americana que supervisiona e regula o tráfego aéreo - exige uma "aterrissagem geral" para todas as aeronaves nos Estados Unidos. Nenhum avião poderá decolar e todas as aeronaves deverão pousar;
  • 9:30 - o Presidente Bush faz um discurso à nação e relata os eventos como "ataques aparentemente de terroristas";
  • 9:43 - o vôo 77 atinge o Pentágono;
  • 10:05 - a Torre Sul desaba;
  • 10:10 - o vôo 93 cai na Pensilvânia;
  • 10:10 - o muro do Pentágono desaba;
  • 10:28 - a Torre Norte desaba;
  • 17:20 - o Edifício 7 do WTC desaba;
  • 20:30 - o Presidente Bush faz um discurso à nação culpando os terroristas pelos ataques.
Todos os fatos registrados nessa relação realmente ocorreram, e em sua maioria foram transmitidos ao vivo.

A "história oficial" oferece uma explicação para esses eventos e tudo faz sentido sob uma perspectiva. Às 9:30, um vídeo da segunda aeronave que sobrevoava a Torre Sul já havia circulado. Naquele dia, cada fonte de notícias tinha as suas câmeras posicionadas na Torre Norte e cobriam os eventos no local, de forma que o choque com a Torre Sul foi filmado de ângulos distintos e transmitidos em tempo real. Quando o presidente qualificou o evento como aparente ataque terrorista às 9:30, a notícia fez sentido. Afinal, terroristas são aquelas pessoas que seqüestram aeronaves. Às 20:30, muitas evidências foram publicadas para sustentar a história sobre o terrorismo. Os comissários de vôo e os passageiros utilizaram fones de ouvido e celulares para fazer ligações de vários aviões. Os pilotos nos aviões também dispararam os alarmes e conectaram os microfones das cabines de piloto, assim as pessoas em terra poderiam ouvir o que estava acontecendo.

Mais evidências foram publicadas nos dias seguintes, então ficou claro o que aconteceu: 19 terroristas seqüestraram quatro aeronaves e causaram a destruição.

Esse é um relato muito direto da história. Vários aviões foram seqüestrados no passado, por isso é muito fácil imaginar um ataque à quatro aeronaves coordenados de uma vez. A idéia de usar aeronaves de grande porte como bombas voadoras foi inovadora e engenhosa, mas dentro das possibilidades da situação.

Dessa forma, para dar início a uma teoria da conspiração, deve haver um fato sem uma explicação satisfatória. Em algumas teorias, os aspectos são muito sutis. Mas no caso do 11 de setembro, há quatro ocorrências que não fazem muito sentido na história oficial. 

  • Três arranhas-céus desabaram - nunca um arranha-céus havia desabado devido a um incêndio. Quando as Torres Norte e Sul desabaram, deve ter soado crível, pois aeronaves de grande porte se chocaram contra elas. Mas quando o WTC 7 desabou, causou estranheza.

  • O modo como o presidente e seus negociadores reagiram quando o segundo avião se chocou contra a Torre Sul, que foi estranho. Quando o primeiro avião se chocou contra a Torre Norte, o comportamento da equipe presidencial é perdoável, porque talvez ninguém tivesse ciência do ocorrido. Todavia, quando o segundo avião se chocou, todos tinham conhecimento do ocorrido, e portanto o modo como o presidente e seus negociadores agiram foi estranho.

    O Pentágono
    Imagem: cortesia do Departmento de Defesa dos EUA/Primeiro Sargento Ken Hammond, Força Aérea Norte-Americana
    O Pentágono antes do ataque

  • O Pentágono corria risco de ser atingido por um avião de carreira. Pelo que parece, tal fato parecia completamente impossível. O Pentágono é o nervo central da maior e mais sofisticada organização militar que o mundo já conheceu. Dessa forma, é sensato pensar que existe um sistema defensivo a postos, tornando o conjunto de edifícios invulnerável. Certamente edificações como o Pentágono estariam protegidas por mísseis antiaéreos, não é mesmo? O ataque sobre o Pentágono aconteceu 58 minutos após o primeiro avião colidir contra a Torre Norte, o que seria tempo suficiente para rastrear os jatos e proteger Washington, mesmo que não houvesse mísseis em terra.

  • Nenhum dos quatro aviões seqüestrados foi abatido por caças, embora esse tipo de intercepção seja comum. Isso é estranho, especialmente no caso do Pentágono. O jato de Payne Steward Lear saiu de curso em 1999. Logo em seguida, mais de 10 aviões o interceptaram, sendo que a primeira intercepção aconteceu 20 minutos após os controladores de vôo terem tomado ciência do problema. [ref (em inglês)]. Então, porque não houve uma resposta imediata aos quatro aviões seqüestrados?

Não se trata de uma resposta simples: são questões muito abrangentes. Um teórico da conspiração (com olhar crítico) poderá observar várias anomalias e perceber um ou mais aspectos que "não fazem sentido" na história oficial. Qualquer uma dessas discrepâncias será suficiente para chamar a atenção de alguém.

A seguir, veremos como os teóricos da conspiração reúnem evidências e constroem outras explicações.