As raízes dos tablóides modernos remontam ao "penny press" norte-americano, nos meados do século XIX. Antes da revolução do "penny press", quando o jornal passou a custar 1 centavo, a maioria dos jornais custava 6 centavos - quase metade do pagamento de um dia de trabalho da classe operária naquele tempo. Esses novos jornais agradaram empresários e políticos. Por volta de 1830, jornais como o Sun e o Herald, em Nova York, começaram a se concentrar mais em histórias populares e menos em política e negócios. O estilo do texto também era diferente: o "penny press" não lidava com os fatos da notícia com um olhar objetivo. Suas histórias eram redigidas com um apelo aos sentidos e às emoções, com descrições vívidas, frases simples e parágrafos pequenos.
Logo, a popularidade das notícias sensacionalistas começou a ofuscar qualquer necessidade de transmissão de fatos reais. Era a época da imprensa marrom. Um dos editores mais desprezíveis da imprensa marrom foi William Randolph Hearst, cujo New York Journal (mais tarde chamado de New York Journal-American) publicava histórias exageradas e falsas para aumentar a tiragem. O New York Journal-American e outros tablóides prosperaram por várias décadas com uma mistura de histórias de escândalos de celebridades e assassinatos sangrentos; todavia, não resistiram à Grande Depressão de 1929. Em 1952, um antigo jornal de propriedade de Hearst foi comprado por Generoso Pope Jr. por US$ 75 mil. Pope imediatamente mudou a publicação para tamanho tablóide e deu uma nova direção, com conteúdo baseado na tendência de as pessoas pararem ao ver um acidente de carro e ficarem olhando para a cena. "Se era o sangue que interessava às pessoas, nós daríamos a elas", disse ele numa entrevista à revista Time nos idos dos anos 70 (Sloan, p. 37). A circulação aumentou rapidamente, baseada em fotografias de crimes com muito sangue e histórias de assassinato.
Rupert Murdoch começou a vender milhões de cópias de seu News of the World na Inglaterra, adicionando fotos de celebridades e escândalos sexuais a seu tablóide. O jornal de Pope seguiu o exemplo e expandiu-se para além da cidade de Nova York: tornou-se o National Enquirer.
Nos anos 60, as velhas bancas de jornal em que os tablóides eram vendidos por décadas começaram a desaparecer. Mais uma vez, Gene Pope liderava a tendência. O melhor mercado nacional para seu jornal eram as grandes cadeias de supermercado, mas as fotos asquerosas muito provavelmente não teriam lugar nas prateleiras. Pope arrumou o Enquirer, concentrando-se em artigos sobre celebridades, paranormalidade e auto-ajuda. De novo, sua fórmula foi um sucesso e outros tablóides mudaram seu formato também.
Na próxima seção, vamos conhecer os tablóides atuais.
A guerra hispano-americana foi fortemente influenciada por Hearst, cujo New York Journal publicou descrições de atrocidades supostamente cometidas pelos espanhóis contra os cubanos. Quando um dos repórteres de Hearst quis voltar para casa depois de cobrir a guerra em Cuba porque nada estava acontecendo, ele disse: "Fique, por favor. Você fornece as fotos e eu forneço a guerra". Depois que o USS Maine explodiu no porto de Havana, o jornal de Hearst tentou espalhar o horror para o público norte-americano, dizendo que os espanhóis haviam explodido o navio. Embora não tivesse nenhuma evidência, os Estados Unidos foram à guerra contra a Espanha. |
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