Uma das possíveis distorções do financiamento da saúde brasileira está na questão dos planos de saúde. O Sistema de Saúde Suplementar, o que popularmente chamamos de convênio médico e odontológico, começou a tomar força depois da Constituição de 1988 e com a constatação pela classe média da precariedade dos serviços públicos. Antes mesmo, o governo militar ajudou no financiamento dos hospitais privadas. Atualmente, esses planos estão disponíveis para 42,5 milhões de brasileiros, segundo dados de 2006 da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Entre 2001 e 2005, o número de beneficiados por esse sistema cresceu 13%, já o faturamento das 1.264 operadoras aumentou de R$ 21,1 bilhões em 2001 e para R$ 36,2 bilhões em 2005, ou seja, um crescimento de 71%, muito maior que o número de adesões.
O SUS recebeu em 2006 cerca de R$ 40 bilhões. Numa conta rápida, podemos dizer que cerca de 24% da população têm 47% do volume investido em saúde no país. No sistema de convênios, o investimento per capita é de R$ 860. No sistema público, são R$ 222 per capita, ou seja, quase quatro vezes menos. Além disso, os convênios médicos estão concentrados nas regiões mais ricas do país.
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Além disso, quem ganha menos proporcionalmente gasta mais com medicamentos. Segundo o IBGE, em 2003, os mais pobres gastavam 39,2% da renda familiar com medicamentos e os mais ricos, 23,5%.