![]() Imagem cedida pela Prefeitura de São Paulo Ambulância do SUS |
Estes critérios valem apenas para metade dos recursos públicos. A outra metade das verbas é distribuída pelo quociente de sua divisão pelo número de habitantes de cada local. Essa política, no entanto, não acaba com certas distorções regionais e sociais.
Distorções sociais e regionais
Distorções históricas como o privilégios de regiões sobre outras é um fato que se repete na saúde. A tabela abaixo mostra que não há efetivamente uma transferência “igualitária” dos recursos do SUS. Tocantins, por exemplo, teve o maior repasse, enquanto o seu vizinho, Pará, o menor. Outro exemplo da discrepância é, por exemplo, entre o Rio Grande do Norte e São Paulo. Os dois Estados tiveram repasses muito semelhantes, mas seus IDH’s e a cobertura da saúde suplementar são muito diferentes. Algumas razões podem ser levantadas para essas diferenças. Pressões e disputas políticas são uma delas. Outra seriam problemas administrativos.
| Estado | Transferência per capita R$ (números de 2005) |
IDH (números de 2000) |
Cobertura da saúde suplementar (números de 2006) |
| Acre | 124,12 | 0,697 | 5,8 |
| Amazonas | 100,28 | 0,713 | 10,1 |
| Amapá | 104,68 | 0,753 | 5,1 |
| Pará | 88,69 | 0,723 | 6,9 |
| Rondônia | 103,21 | 0,735 | 4,5 |
| Roraima | 110,71 | 0,746 | 2,3 |
| Tocantins | 147,17 | 0,710 | 3,3 |
| Alagoas | 118,21 | 0,649 | 5,4 |
| Bahia | 109,67 | 0,688 | 8,3 |
| Ceará | 111,86 | 0,700 | 9,5 |
| Maranhão | 109,06 | 0,636 | 3,7 |
| Paraíba | 134,76 | 0,661 | 8,2 |
| Pernambuco | 120,20 | 0,705 | 11,4 |
| Piauí | 132,95 | 0,656 | 3,9 |
| Rio Grande do Norte | 125,91 | 0,705 | 10,3 |
| Sergipe | 119,33 | 0,682 | 8,8 |
| Espírito Santo | 109,05 | 0,765 | 22,0 |
| Minas Gerais | 104,95 | 0,773 | 18,5 |
| Rio de Janeiro | 114,31 | 0,807 | 30,6 |
| São Paulo | 126,43 | 0,820 | 37,8 |
| Paraná | 121,62 | 0,786 | 18,1 |
| Rio Grande do Sul | 100,18 | 0,814 | 16,7 |
| Santa Catarina | 114,70 | 0,822 | 18,1 |
| Goiás | 110,24 | 0,776 | 8,3 |
| Distrito Federal | 103,27 | 0,844 | 24,7 |
| Mato Grosso | 116,50 | 0,773 | 9,0 |
| Mato Grosso do Sul | 128,75 | 0,778 | 13,9 |
| Brasil | 115,00 | 0,766 | 19,4 |
Fontes: Secretaria Especial de Estado de Proteção Social (2006) / Agência Nacional de Saúde Suplementar (2006) / Pnud (2002). |
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Além disso, o relatório do Conass, aponta uma ineficiência maior nos hospitais com menor número de leitos em relação aos com maior número de leitos. Veja o gráfico.
| Taxa de ocupação dos leitos dos hospitais do SUS por porte dos hospitais, 2002 |
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| Porte dos hospitais em número de leitos | Ocupação % |
| 0 a 24 | 21,2 |
| 25 a 49 | 23,8 |
| 50 a 99 | 29,0 |
| 100 a 249 | 46,6 |
| Mais de 250 | 76,6 |
| Total | 28,8 |
| Fonte: Banco Mundial (2005). | |
Quanto à eficiência de escala, está um dos maiores paradoxos da realidade do SUS. Os hospitais do SUS têm uma taxa média de ocupação de 28,8% (dados de 2005) - muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (80%). Os hospitais com até 25 leitos têm 21,2% dos leitos ocupados. Os únicos com uma taxa aceitável são os com mais de 250 leitos com 76,6%. Uma das explicações para isso é que as pessoas procuram os grandes hospitais por confiar mais no trabalho e muitas vezes, os pequenos hospitais não têm recursos até para um simples atendimento. Além disso, os recursos são escassos nas cidades menores. Para se ter uma idéia em 2005, dos 5.561 municípios brasileiros, apenas 198 tinham uma UTI neotal para atender casos de bebês prematuros.