Não há quem tire da cabeça das pessoas que o governo gasta pouco com saúde. No entanto, ao analisar o orçamento da União, verifica-se que o SUS é a segunda maior despesa do setor público, ficando atrás apenas da Previdência Social.
Mas será que R$ 40 bilhões (valor destinado ao SUS em 2006) são suficientes para toda a população brasileira?
Um estudo mais aprofundado desses números revela que estes mesmos R$ 40 bilhões garantem entre R$ 120 e R$ 150 anualmente por habitante, ou seja, cerca de 50 centavos por dia. Na comparação com o Canadá, por exemplo, significa menos de 10% do total investido em saúde pelo governo daquele país.
Não bastasse o mau posicionamento do país nessas comparações, a situação pode ser ainda pior se for feita uma comparação pelo PIB. Vamos a uma nova tabela:
| Gastos com saúde pública por país (dados de 2003) | ||||
| Total de gastos com saúde | % do PIB | Per capita total (US$) | Per capita público (US$) | Per capita público (em %) |
| Argentina | 8,9 | 426 | 300 | 70,4% |
| Brasil | 7,6 | 212 | 96 | 45,3% |
| Canadá | 9,9 | 2.669 | 1.866 | 69,9% |
| Chile | 6,2 | 282 | 137 | 48,6% |
| Costa Rica | 7,3 | 305 | 240 | 78,7% |
| Estados Unidos | 15,2 | 5.711 | 2.548 | 44,61% |
| Itália | 8,4 | 2.139 | 1.607 | 75,1% |
| México | 6,2 | 372 | 172 | 46,2% |
| Portugal | 9,6 | 1.348 | 940 | 69,7% |
| Reino Unido | 8,0 | 2.428 | 2.081 | 85,7% |
| Fonte: Organização Mundial da Saúde (2006) | ||||
Observando a tabela, é possível verificar que o Brasil está muito abaixo dos países desenvolvidos e aquém de países como o mesmo perfil econômico-social.
Se o estoque de remédios do posto de saúde não foi renovado por falta de recursos, a quem devemos atribuir a culpa: à prefeitura, ao governo do Estado ou ao governo federal?
Até meados da década de 1990, os gastos com saúde pública eram realizados majoritariamente pelo governo federal. Um resquício da ditadura militar, regime político vigente no País entre as décadas de 60 e 80, cujo sistema tributário era marcado pela centralização.
A Constituição Federal de 1988, no entanto, deflagrou o processo de descentralização tributária no governo brasileiro. Ao criar impostos infracionais e elevar o nível de transferência de recursos, através dos fundos de participação estadual e municipal (FPE e FPM), a carta constitucional aumentou significativamente a receita de Estados e municípios.
A distribuição de receita, é claro, veio acompanhada da aquisição de responsabilidades. Estados e municípios também passaram a contribuir com recursos para a saúde brasileira. Sobretudo após a publicação da Emenda Constitucional nº 29 – pendente de regularização –, que estabelece percentuais mínimos de participação das receitas próprias dos entes federados no financiamento do SUS.
Veja, na tabela abaixo, a participação das esferas de governo no gasto público em saúde, entre 1980 e 2002, antes e depois da Constituição.
| Participação das eferas de governo no gasto público em saúde no país | |||||
| Esfera | 1980 | 1990 | 1992 | 1993 | 2002 |
| Federal | 75% | 73% | 86% | 72% | 58% |
| Estadual | 18% | 15% | 14% | 12% | 20% |
| Municipal | 7% | 12% | 18% | 16% | 22% |
| Fonte: Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops) | |||||
| Gastos do SUS por entes federados em valores de 2005 em bilhões de Reais, corrigidos pelo IPCA. Período 2000/2004 |
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| Ano | União | Estados | Municípios | Total |
| 2000 | 30,8 | 9,5 | 11,1 | 51,5 |
| 2001 | 31,8 | 11,7 | 13,1 | 56,7 |
| 2002 | 32,3 | 13,1 | 15,6 | 61,1 |
| 2003 | 30,9 | 15,0 | 15,4 | 61,4 |
| 2004 | 34,9 | 17,9 | 17,1 | 70,0 |
| Variação | 11,8 | 46,7 | 34,8 | 26,4 |
| Fonte: Ministério da Saúde: DECIT/SIOPS, In: CONASS (2006). | ||||
Os recursos federais do Ministério da Saúde caíram, em termos percentuais, no componente de média complexidade, de 78,49% em 1999 para 59,12% em 2005. A queda, muito acentuada em um período muito curto, é preocupante, pois essa diminuição relativa dos recursos da média complexidade vem configurando uma tendência - apesar de um pico no ano 2000, vem ocorrendo continuamente. Em termos absolutos, os valores nominais no período cresceram 2,6 vezes na média complexidade e 6,7 vezes na alta complexidade. Os gastos do SUS per capita em procedimentos de alta complexidade, em valores constantes de 2003, cresceram de 24,31 reais em 1995 para 29,82 reais em 2003, um crescimento de 22,6% no período. |
| Arrecadação da CPMF em % das Receitas Administradas | |||||
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CPMF | Receitas Administradas | |
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| Ano | Valores correntes | Valores constantes (IPCA - julho2007) | Valores correntes | Valores constantes (IPCA - julho2007) | Participação da CPMF nas receitas administradas em % |
| 1994 (1) | 3.699,10 | 13.557,23 | 45.883,89 | 170.355,61 | 8,06% |
| 1995 | 162,11 | 418,1398519 | 80.939,80 | 190.127,42 | 0,20% |
| 1996 (2) | 0 | 0 | 91.656,54 | 185.615,00 | 0,00% |
| 1997 (3) | 6.909,35 | 13.053,01 | 107.064,71 | 202.695,74 | 6,45% |
| 1998 | 8.118,06 | 14.903,62 | 117.781,56 | 216.256,17 | 6,89% |
| 1999 (4) | 7.955,92 | 13.728,26 | 142.557,13 | 249.254,37 | 5,58% |
| 2000 | 14.554,64 | 23.798,22 | 166.182,66 | 271.630,18 | 8,75% |
| 2001 | 17.197,01 | 26.282,21 | 188.459,87 | 288.342,21 | 9,13% |
| 2002 | 20.367,61 | 28.697,14 | 232.711,15 | 328.197,79 | 8,75% |
| 2003 | 23.047,18 | 28.366,80 | 259.574,48 | 319.343,60 | 8,88% |
| 2004 | 26.432,33 | 30.479,57 | 300.354,99 | 346.508,14 | 8,80% |
| 2005 | 29.273,31 | 31.559,49 | 346.955,18 | 405.071,46 | 8,44% |
| 2006 | 32.090,26 | 33.244,61 | 372.305,71 | 385.853,04 | 8,62% |
| 2007 (5) | 20.535,41 | 20.704,49 | 239.887,62 | 241.885,78 | 8,56% |
| Variação 98/06 | 295,29% | 123,06% | 216,10% | 78,42% | - |
| Fonte: Secretaria da Receita Federal do Brasil Elaboração: Departamento de Estudos Técnicos do Unafisco Sindical Notas em relação a arrecadação da CPMF. (1) Refere-se à arrecadação da CPMF (2) Não houve arrecadação (3) No mês de janeiro não houve arrecadação (4) Não houve arrecadação no período de março a maio (5) Arrecadação até julho/2007 |
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