A oferta de saúde no mundo
Cada país adota um modelo de administração da saúde pública. Levando em conta os conceitos de universalização ou segmentação, detalhados na introdução deste artigo. Podemos dizer que os países acabaram por adotar, de acordo com a própria ideologia predominante, um ou outro modelo ou, às vezes, uma mescla dos dois.
Os
Estados Unidos, por exemplo, adotam um claro modelo segmentado. Privada em grande parte, a rede de atendimento à saúde norte-americana tem dois sistemas públicos. Um para os mais pobres, o Medicaid, e um para os idosos, o Medicare. Os dois juntos cobrem cerca de um quarto da população do país. Já o sistema privado tem várias vertentes. A população paga direta ou indiretamente pelos serviços. Entre as formas indiretas, a mais comum é pagamento feito pelas empresas aos seus empregados. Na América Latina, o modelo segmentado foi implantado no
Chile, durante a ditadura militar. Em ambos os países, no entanto, o modelo está sendo revisto.
A maioria dos países desenvolvidos adota o modelo universal com determinadas particularidades. No
Canadá, por exemplo, a universalidade é adotada para a maior parte dos serviços. Há uma ampla carteira de procedimentos considerados necessários. Procedimentos mais específicos ficam por conta do sistema privado.
Na
Suécia, há limites para gastos individuais com médicos e consultas. Se você ultrapassar, o Estado paga. E as farmácias são parte do Estado, inibindo a fetichização das drogas.
Na
França, 96% da população é atendida por sistema público de saúde. Quem quiser um médico com honorários mais caros paga a diferença, e uma boa parte da população opta por pagar planos de saúde complementares. Para saber um pouco mais sobre o assunto, clique
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Obviamente, todos esses sistemas recebem críticas, principalmente com relação ao desembolso de impostos que tais sistemas acarretam para a população em geral. De qualquer modo, uma análise do desembolso dos governos com saúde mostra que o Brasil ainda tem muito o que fazer.
Quem gasta mais com saúde?
Os gastos mundiais não são pequenos. Segundo um levantamento da Organização Mundial de Saúde de 2000, são gastos com saúde na Terra US$ 3 trilhões - ou 8% do PIB mundial. Estudos mostram que os países desenvolvidos têm aumentado sistematicamente os gastos no setor. Em 1965, os Estados Unidos gastavam 5,9% do seu PIB em saúde. Em 2003, atingiam 15,2%.
Outros dados estatísticos mostram que os países com um sistema universal de saúde têm elevados índices de gastos públicos com saúde. Entretanto, não é o que ocorre no Brasil, onde apenas 45% destes gastos são realizados pelo governo.
Percentual do gasto público em relação ao gasto total em saúde em países selecionados |
| País |
Percentual |
| Cuba |
86,8% |
| Reino Unido |
85,7% |
| Suécia |
85,2% |
| Costa Rica |
78,8% |
| Alemanha |
78,2% |
| França |
76,3% |
| Itália |
75,1% |
| Espanha |
71,3% |
| Canadá |
69,9% |
| Portugal |
69,7% |
| Chile |
48,8% |
| Argentina |
48,6% |
| México |
46,4% |
| Brasil |
45,3% |
| Estados Unidos |
44,6% |
| Fonte: Organização Mundial da Saúde (2006) |
Esses mesmos números mostram também que os governos dos países desenvolvidos tendem a gastar mais com saúde. E que o governo brasileiro perde para importantes representantes da América Latina.
Se o Brasil adota o modelo universal de atendimento, por que os gastos públicos representam apenas 45% do total de gastos com saúde?
Isto pode ser ocasionado por alguns motivos principais. O primeiro deles é uma condição muito peculiar do mercado brasileiro, de privatização da saúde – os planos de saúde privados dominaram as classes alta e média e, atualmente, avançam sobre a camadas mais baixas da população. Uma outra razão seria a má administração dos gastos. E um terceiro motivo é, pura e simplesmente, o baixo aporte de recursos feito pelo governo. Motivo este que já virou lenda urbana.