Como atender à população?
Ninguém gosta ir ao médico. Só procuramos nos tratar quando a dor já está insuportável, a diarréia não passa há dias, a garganta fechou... enfim, quando a corda está prestes a estourar. E, é claro, queremos a cura imediata, não importa qual seja o problema.
Assim é o modelo de atenção à saúde do SUS,
estruturado para atender doentes em condições agudas. Na verdade, a maioria dos países estruturou a saúde pública dessa forma nos últimos 50 anos. Afinal de contas, a maioria dos casos de atendimento estava relacionada às doenças de condições agudas.
| O que são condições agudas? Doenças de condições agudas são caracterizadas pela manifestação abrupta, duração limitada, causa simples, diagnóstico e prognóstico precisos e intervenções que, em geral, levam à cura, como gripe, dores de cabeça etc.
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Recente estudo realizado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS), no entanto, apontou uma mudança significativa no perfil da população mundial, sobretudo em países em desenvolvimento. Atualmente, há um predomínio de doenças de condições crônicas.
O que são condições crônicas?
Doenças de condições
crônicas são caracterizadas pela manifestação gradual, duração longa ou
indefinida, causas múltiplas ou que mudam ao longo do tempo,
diagnóstico e prognósticos incertos e intervenções que, em geral, não
são decisivas, têm efeitos adversos e não levam à cura imediata. São
exemplo desse tipo de doenças diabetes, câncer e tuberculose.
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A mudança é ocasionada por vários fatores, dentre eles a transição demográfica, novos padrões de consumo, estilo de vida frenético e urbanização acelerada.
O tradicional esquema de atendimento do SUS, portanto, tornou-se inadequado para o perfil de doenças da população brasileira.
 Imagem cedida pela Prefeitura de São Paulo Atendimento pelo SUS
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À despeito dessa constatação, e até pelo costume, a população tende a defender o atual sistema de atendimento à doenças agudas, do qual são as próprias vítimas. Segundo o
Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), o país “vive uma epidemia oculta de doenças crônicas”.
O SUS tem, portanto, um grande desafio pela frente: a transição do esquema de atendimento de doenças agudas para doenças crônicas. E talvez, o maior obstáculo seja o de mudar os hábitos da população, acostumada a querer resolver problemas de saúde tomando um simples comprimido.
Essa transição, vale lembrar, envolve inevitavelmente a expansão de gastos, já que o tratamento de doenças crônicas é, na maioria das vezes, de longo prazo.