A juventude de Spinoza
Descendente de judeus portugueses sefarditas, Baruch (ou Benedito) de Spinoza nasceu em 4 de novembro de 1632, em Amsterdã, na Holanda. Seu pai era um mercador bem-sucedido e levou a família para a Holanda, onde pode abandonar o pseudocristianismo que a Inquisição o forçava a assumir. Spinoza perdeu a mãe quando tinha seis anos de idade e o pai morreu quando o futuro filósofo tinha 22 anos.
Sua educação foi feita rigorosamente dentro da tradição judaica. Diariamente estudava por horas o Velho Testamento e o Talmude e fora do horário escolar ainda dedicava-se a estudar grego e latim. Seu interesse pelos estudos levou seu pai a acreditar que ele seria um rabino. Mas, Spinoza tinha um pensamento independente, assim como outros jovens judeus, e começou a questionar a ortodoxia judaica e a criticar o Velho Testamento.
Apesar da tolerância da sociedade holandesa, quando comparada aos demais países da época, os judeus ainda eram vistos com desconfiança e críticas à Bíblia feitas por judeus poderiam ser interpretadas como ataques ao Cristianismo. Preocupadas com as afirmações de Spinoza de que não havia provas na Bíblia da existência de Deus e dos anjos e da imortalidade da alma, as autoridades judaicas resolveram “suborná-lo” oferecendo uma renda anual para que ele guardasse suas ideias somente para si. Mas, ele recusou a oferta. Logo após, sofreu um atentado praticado por um fanático religioso, do qual escapou ileso. Por fim, sem alternativa, as autoridades religiosas resolveram excomungá-lo.
Excomungado e totalmente órfão – seu pai havia morrido no ano anterior e a herança que deixara para Spinoza acabou com sua meia-irmã, após ele ter aberto mão dela – ele estava em apuros. Acabou indo morar com um amigo cristão que mantinha uma escola particular em casa e passou a lecionar nessa escolinha. À noite, seu anfitrião-patrão lhe apresentava os textos de
Descartes, que teriam um impacto profundo e decisivo na construção do sistema filosófico de Spinoza. Foi nessa época também que ele nutriu uma outra paixão. Desta vez menos intelectual e mais carnal. O alvo foi a jovem filha do anfitrião, que também lecionava na escolinha. Foi a partir dessa experiência que provavelmente ele tirou suas penetrantes percepções sobre o
amor e o
ciúme sexual.
Mas seu patrão-anfitrião resolveu partir para a França e a escola foi fechada. Spinoza começou então a aprender a lapidar lentes, como uma forma de ganhar dinheiro para seu sustento. Nessa época retirou-se para o interior e foi morar na casa de um cirurgião protestante. Lá começou a escrever suas obras filosóficas. Uma delas buscou transformar o pensamento de Descartes numa série de demonstrações geométricas. Era o início da construção do seu belo sistema filosófico.