Sócrates: o mais sábio dos homens

Sócrates
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Sócrates nasceu em 469 a.C. num vilarejo próximo a Atenas. Quando jovem foi aprendiz de seu pai no ofício da escultura. Estudou com Anaxágoras, o primeiro filósofo ateniense, mas com o auto-exílio deste, passou a ter aulas com Arquelau.

A filosofia era uma novidade e considerada o estudo global do conhecimento, assim a matemática, a ciência e a cosmologia eram consideradas suas partes integrantes. Ele também teve vários encontros com Parmênides de Eléia, um filósofo que considerava o mundo como mera ilusão. A influência dele em Sócrates pode ter sido decisiva para a atitude anticientífica que o filósofo desenvolveria, apesar de ser o primeiro pensador fundamentalmente apoiado na razão.   

Assim, apesar de ter levado a filosofia à maturidade e tê-la estabelecido sobre as sólidas bases da razão, Sócrates manteve uma atitude que considerava que especulações a respeito da natureza do mundo não trariam benefício algum para a humanidade. Para ele, faríamos muito melhor questionando a nós mesmos, conforme sua máxima: “Conhece-te a ti mesmo”. Essa atitude foi uma das principais razões para que mentes científicas privilegiadas da Grécia antiga, como Arquimedes, Hipócrates e Euclides desenvolvessem seus trabalhos distantes do campo filosófico. Assim os conhecimentos científicos gregos da época de que a Terra era redonda, que ela girava em torno do Sol e sobre a eletricidade e campo magnético eram considerados esquisitices, pois estavam fora da sabedoria universal representada pela filosofia. Isso teve um forte impacto negativo na evolução científica.

O jovem Sócrates começou a praticar seu método filosófico na Ágora, o centro comercial de Atenas. No Pórtico de Zeus Eleutério, em meio à intensa movimentação do comércio, das cantorias folclóricas e de muita confusão, vários atenienses devem ter parado para prestar atenção ao que o jovem filósofo dizia. Ele logo virou uma figura importante para Atenas, tanto que aos 30 anos de idade foi considerado o mais sábio dos homens, segundo o Oráculo de Delfos. Sobre isso afirmou: “Eu nada sei exceto o fato da minha própria ignorância”.

Mas, na dúvida, decidiu questionar todos os sábios de Atenas para descobrir o quanto eles realmente sabiam. Nesse processo, no qual assumira que nada sabia, pedia aos seus interlocutores que expusessem tudo o que soubessem. Com seu método de questionamento cheio de perguntas mordazes acabava por demolir as teses daqueles “sábios”. Sócrates logo constatou que os sábios de Atenas nada sabiam, assim como ele. Só que, como ele era o único que sabia que nada sabia, ele era, portanto, o mais sábio dos homens. O Oráculo de Delfos tinha acertado.