
Thomas More cunhou o termo "utopia" em 1515 em seu estudo de mesmo nome, mas os ideais utópicos se originaram muito antes dele. Platão (em inglês) descreveu um meio semelhante na obra filosófica "República" em 360 a.C.
Em 1627, "Nova Atlântida" de Francis Bacon defendia uma abordagem mais científica, radicada em métodos científicos. Bacon previu uma sociedade semelhante a um instituto de pesquisa, no qual os cidadãos estudariam a ciência como forma de criar um ambiente harmônico por meio da reunião de seus conhecimentos. Adicionalmente a essas obras fundamentais, mais de quarenta romances - tendo a utopia como tema - foram publicados entre 1700 e 1850, consolidando seu status de ideal popular [fonte: Foner]. Como muitas injustiças sociais (como a escravidão e a opressão) estavam crescendo, o tema era muito popular entre os amargurados e deprimidos.
Enquanto um revolucionário francês chamado François Noël Babeuf (em inglês) é conhecido pela idéia de doar seus bens privados em prol da igualdade e freqüentemente considerado o primeiro socialista, o conceito não foi popularizado até o fim do século 18, quando a Revolução Industrial (em inglês) causou algumas mudanças drásticas ao redor do mundo.
A Revolução marcou a mudança das sociedades agrícolas para indústrias modernas, nas quais as ferramentas foram abolidas, dando lugar ao uso de maquinário avançado. Fábricas e estradas de ferro começaram a surgir, resultando em grandes riquezas para os proprietários dessas indústrias. Enquanto eles lucravam com essas mudanças, os trabalhadores ficavam subitamente na miséria por conta da falta de empregos, já que as máquinas começavam a substituir a mão-de-obra humana. Muitas pessoas temiam que essa discrepância de rendas aumentaria, tornando o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre.
Esse medo criou uma agitação entre a classe trabalhadora. Moradia precária, escravidão (que continuava acontecendo desenfreadamente nos Estados Unidos e em outros países) e péssimas condições de trabalho contribuíram para o desejo de uma sociedade mais igualitária. O resultado disso foi que os ideais socialistas rapidamente se tornaram populares entre os trabalhadores empobrecidos. Comunidades como a Brook Farm e a New Harmony começaram a surgir nos Estados Unidos e na Europa. Essas pequenas comunidades se baseavam nos princípios socialistas e trabalhavam para evitar a luta de classes que controlava o resto do mundo. New Harmony era considerada o centro do pensamento científico e se orgulhava por ter os primeiros serviços gratuitos de biblioteca, escola e pré-escola dos Estados Unidos.

Apesar da existência de pequenas comunidades e da propagação do pensamento socialista, o socialismo continuou sendo somente uma idéia, e não uma realidade. O ditador soviético Vladimir Ilyich Lenin foi o primeiro líder a submeter o socialismo a um teste. Apesar de ser um comunista (ramo do socialismo que usava ações militantes para subverter a classe dominante e o governo e alcançar uma sociedade utópica), Lenin implementou muitas iniciativas socialistas na União Soviética após assumir o governo em 1917. Essas iniciativas incluíam a nacionalização forçada da indústria e a agricultura coletivista. O programa de Lenin não dava lucros, então, no final, ele recorreu a uma economia mista. Às vezes, o comunismo é referido como socialismo revolucionário devido às suas táticas agressivas. Apesar de haver diferenças fundamentais entre as duas teorias, tanto o comunismo quanto o socialismo objetivavam eliminar a luta de classes encorajando o governo ou o estado a controlar a produção e a distribuição.
O período pós-Primeira Guerra Mundial viu um aumento da democracia socialista na Europa. Os partidos socialistas se tornaram ativos no governo da Alemanha, da Suécia, dos Países Baixos, da Bélgica e da Grã-Bretanha. O socialismo também se tornou popular em algumas partes da África, da América Latina e da Ásia.
A seguir, vamos aprender sobre o início do socialismo nos Estados Unidos.