História visual faz diferença

Durante três meses de 1994, entre 600 e 800 mil tutsis foram assassinatos em Ruanda (algo como 75% e 80% do total da população local) - foram mais de 6.500 pessoas assassinadas diariamente, por 90 dias.

"As histórias de vida dos sobreviventes do Holocausto, e de outras testemunhas no arquivo da Fundação Shoah, falam de maneira eloqüente sobre a necessidade de eliminar o ódio e a violência. Seus depoimentos têm uma importante e poderosa mensagem a ser compartilhada com o mundo".

- Steven Spielberg,
criador da Fundação Shoah

Para a maioria, a quantidade de ódio necessária para provocar e manter tal violência é impensável. É isso que é o genocídio - ódio por aqueles que são diferentes. Começa com pensamentos ou estereótipos preconceituosos sobre um determinado grupo de pessoas. Para alguns, esses pensamentos preconceituosos podem levar a atos de fanatismo e discriminação, chegando a atos de violência como vandalismo, ataques ou assassinatos. A Liga Antidifamação (Anti-Defamation League (em inglês)) descreve isso como "pirâmide de ódio".

Agora mesmo líderes mundiais estão debatendo a crise em Dafur, no Sudão (em inglês), tentando decidir se a expulsão, os assassinatos e os estupros sistemáticos que ocorrem lá podem ser considerados legalmente como genocídio. Mais uma vez, estamos correndo perigo de não aprender com os erros do passado. Mas a Fundação dos Sobreviventes da História Visual do Shoah (Survivors of the Shoah Visual History Foundation (em inglês)) está trabalhando para recordar o sofrimento que o preconceito, o fanatismo e o ódio podem causar.


Foto cedida Fundação Shoah
Edelgard Bulmahn, Ministro da Educação da Alemanha, e Steven Spielberg parabenizam os estudantes vencedores do último concurso "Recordando para o presente e para o futuro - a tolerância vence!"

Hoje, a maioria de nós é bombardeada com uma enorme quantidade de informações em diversos formatos, tanto que podemos ficar facilmente insensíveis sobre o que acontece ao nosso redor. Entre MP3 players e computadores, vídeogames e home theaters, ler um texto num livro ou ouvir uma entrevista gravada não é muito interessante. O que torna os depoimentos da Fundação Shoah perturbadores é que são histórias visuais. Se vamos aprender sobre nosso passado, precisamos ser capazes de nos conectar a ele. Quando as pessoas assistem a um depoimento sobre o Holocausto, é dada a oportunidade de estar em contato com o sobrevivente ou testemunha, pois parece que estamos falando com eles. Como Doug Greenberg, CEO da Fundação Shoah, comenta, "há algo palpável diferente de apenas assistir a um vídeo".