Atitudes adicionais

Dê uma olhada no site do Survivors of the Shoah Visual History Foundation (Fundação Shoah) e veja que, mesmo trabalhando constantemente na parte três da estrutura, a produção está longe de terminar. Mesmo depois de celebrar seus primeiros dez anos de operação, algumas vezes parece apenaso  começo. Fale com o presidente da Fundação Shoah e você vai perceber a alegria em sua voz quando perguntado o que vem a seguir para a Fundação. Greenberg prega um sermão de projetos, incluindo:
  • mais documentários para a série "Broken Silence" (um em italiano é o próximo);
  • mais rolos de depoimentos com assuntos direcionados, como resistência ao racismo e à violência;
  • maior colaboração com organizações, educadores e instituições de ensino ao redor do mundo que tenham a mesma forma de pensar.
E provavelmente até mais depoimentos.

Mesmo desde o início, Steven Spielberg teve a intenção de divulgar as histórias dos sobreviventes para que todos pudessem testemunhar - não apenas os sobreviventes do Holocausto, mas sobreviventes de outros genocídios ou assassinatos em massa. "Sempre esteve na mente de Spielberg que o Holocausto não é o problema real", afirmou Greenberg. "O problema real é o racismo e a violência genocida. E a contribuição que temos que dar é como documentar essas coisas usando vídeo e como fazê-las acessíveis a outros."

E sobre o que aconteceu em Ruanda, qual teria sido o impacto se a Fundação Shoah tivesse sido fundada 5 ou 10 anos antes?

"Gostaria de pensar que se já existíssemos uns 10 anos antes do genocídio de Ruanda, então talvez alguém daria um profundo suspiro na primavera de 1994 e diria: 'há um outro Holocausto acontecendo e devemos fazer algo para parar com isso'", afirmou Greenberg.
Ele continuou ressaltando que a imprensa norte-americana está dando atenção à atual crise no Sudão - muito mais que em relação a Ruanda em 1994. "Espero que um dos motivos que faça a imprensa norte-americana estar atenta ao Sudão seja o fato de organizações como a Fundação Shoah tenha despertado a consciência das pessoas ao problema do genocídio de modo geral", disse Greenberg. Prossegue:
"O caso de Ruanda é um que em retrospectiva fez as pessoas se recordarem mais uma vez do Holocausto. Estou certo que vamos fazer a diferença no futuro. É sobre a conscientização aumentando ao redor do mundo, mas é [também] sobre dar aos sobreviventes a oportunidade de falar sobre o que eles sofreram - e isso inclui os sobreviventes de Ruanda e Camboja e os sobreviventes dos assassinatos em massa nos Balcãs e em outros lugares.

Greenberg acredita que a Fundação Shoah tem uma única contribuição a dar. "Existem depoimentos feitos sobre todos esses genocídios em texto e às vezes em fita, mas existe algo sensivelmente diferente ao assistir a um vídeo - essa é a contribuição que podemos dar, além de podermos ensinar às pessoas como fazer isso."

Por intermédio de contatos com comunidades do Camboja e de Ruanda na Califórnia, a Fundação Shoah estuda desenvolver um pequeno projeto cuidadosamente planejado. O início será com a coleta de um pequeno número de depoimentos sobre os genocídios ocorridos no Camboja e em Ruanda. Em seguida, começará a desenvolver um dicionário de sinônimos específico para cada um desses genocídios e a pensar qual o assunto adequado que precisa ser divulgado. Assim como a testemunha do Holocausto, a fundação confia numa lista de contatos para garantir que terá o perfil certo de especialistas e sensibilidade cultural para conduzir o projeto da melhor maneira possível.

Uma vez o projeto-piloto finalizado, a fundação buscará um conjunto de iniciativas mais amplo. Ao invés de embarcar na entrevista sistemática de grande número de sobreviventes, ela estará procurando maneiras de auxiliar outros a fazer isso.