Muitas das maravilhas se enquadram a algum estilo arquitetônico ou estilístico. O mausoléu audaciosamente desafia a classificação. Seu estilo poderia ser definido por alguns como "exagerado" ou "excessivo". Existe um motivo para isso: depois que a rainha que o encomendou morreu, ele terminou por se tornar uma exibição competitiva entre artistas determinados a exibir as maiores de suas obras. Para esse fim, o mausoléu se tornou uma mistura de esculturas em mármore, entalhes e colunas.
A palavra mausoléu surgiu por conta do rei Mausolo, o soberano persa de Cária, em honra do qual o templo foi construído. Ele reinou no século 4 a.C., em Halicarnasso, a moderna Bodrum, Turquia. Mausolo teve um reinado sem grandes percalços. Casou-se com a irmã, Artemísia, que o amava muito. Quando morreu, a tristeza dela foi tão grande que, segundo uma lenda, ordenou que as cinzas dele fossem misturadas à sua água e comida, para lamentar sua perda [fonte: History Channel (em inglês)].
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Para celebrar seu irmão e marido, Artemísia encomendou um grande mausoléu que abrigasse seus restos mortais. Selecionou o arquiteto Pítis para o projeto e contratou quatro escultores para embelezar a edificação (isso queria dizer um escultor para cada face do templo - Pítis esculpiria a estátua que decoraria o ápice do mausoléu). Os escultores selecionados foram Escopas, Briáxis, Leocarés e Timóteo [fonte: Princeton].
Uma colina com vista para a cidade e a baía foi selecionada como local do mausoléu. Os trabalhos foram iniciados em 353 a.C. O mausoléu tinha 45 metros de altura, com uma base de 32 metros; incluía uma pirâmide de 24 degraus e sete metros de altura; e uma estátua encimando o conjunto, com altura de seis metros. O historiador Plínio, da era clássica, escreveu que o perímetro do mausoléu tinha 134 metros [fonte: Princeton]. Escavações mais modernas levaram uma equipe dinamarquesa que trabalhou no local entre 1966 e 1977 a revelar que a construção provavelmente tinha 30 por 36 metros, com 36 colunas de sustentação.
![]() Yoray Liberman/Getty Images Turista caminha pelas ruínas do Mausoléu de Halicarnasso, em Bodrum, Turquia |
A rainha jamais viu pronto o monumento a seu marido. Morreu apenas dois anos depois de Mausolo e foi sepultada com ele. No entanto, os trabalhos no mausoléu continuaram porque os artistas desejavam concluir seus projetos. Entre eles estavam a escultura de Mausolo e Artemísia em um carro puxado por quatro cavalos, obra de Pítis; frisos descrevendo a guerra entre os gregos e as amazonas; diversas corridas e guerras entre os lápitas (o povo da antiga Tessália) e os centauros (criaturas míticas, meio homens, meio cavalos); além de outras esculturas. Hoje, alguns restos dessas esculturas e frisos podem ser vistos no Museu Britânico.
No século 15, terremotos abalaram a fundação do mausoléu, que despencou lentamente. Por volta de 1494, os Cavaleiros de São João de Malta usaram os restos do tempo para reforçar seu castelo. Eles também queimaram colunas de mármore para criar argamassa.
Os Cavaleiros de São João de Malta eram cruzados cristãos. A irmandade foi criada para fornecer assistência médica aos peregrinos religiosos, mas posteriormente se tornou um grupo militar que protegia a Terra Santa. Hoje, seu castelo em Bodrum é uma atração maior que o mausoléu e algumas porções dos frisos do mausoléu podem ser vistas nas muralhas do castelo [fonte: Princeton]. |
Escavações no mausoléu localizaram coisas bastante interessantes. Em 1522, Charles Guichard localizou a câmara de sepultamento de Artemísia, que continua um sarcófago de alabastro - mas, misteriosamente, nenhum cadáver. A equipe dinamarquesa que escavou o local no fim dos anos 60 encontrou restos de ovos, pombas, carneiros e bois, provavelmente oferecidos ao rei e rainha como alimentos para depois da morte.
Na próxima seção, viajaremos de volta à Grécia para examinar o gigantesco Colosso.