![]() Cedida por Getty Images Shelly Katz / Liaison A sede dos Davidianos explodiu em abril de 1993, como conseqüência de um impasse entre a seita, liderada por Davis Koresk, e o FBI |
Neste artigo, vamos separar a realidade da ficção e saber exatamente o que é uma seita, o que caracteriza uma seita como destrutiva e, além disso, dar uma olhada em alguns dos mais notáveis acontecimentos sobre seitas na história moderna.
O que é uma seita?
As seitas que estão envolvidas com notícias negativas não são uma regra. Basicamente, uma seita é apenas um grupo religioso pequeno, não estabelecido, sem um objetivo final, que gira em torno de um único líder. O American Heritage Dictionary define seita da seguinte forma:
A primeira definição se aproxima mais do uso que fazemos do termo, mas você deve ter percebido que não há menção sobre assassinato ou assassinato coletivo. Não há diferença significativa entre seita e religião em termos de fé, moralidade ou espiritualidade. As principais diferenças são: uma seita funciona fora da sociedade, normalmente faz seus seguidores prometerem total comprometimento com o grupo e tem um único líder, enquanto uma religião normalmente está inserida na cultura do povo, requer vários níveis de comprometimento de seus membros e tem uma hierarquia de liderança que, na prática, pode funcionar como uma série de limitações e inspeções.
Seitas no Brasil
O Brasil é um continente de contrastes, em todos os aspectos, e isso não poderia ser diferente em relação à fé. O país é predominantemente cristão, com destaque para o catolicismo, mas de norte a sul do país podemos encontrar diversas religiões, crenças e, inclusive, seitas. Veja algumas das instituições que são consideradas seitas:
Embora a maioria das seitas existentes no Brasil não seja considerada destrutiva, há alguns casos que chegaram à mídia envolvendo rituais macabros e mortes:
Existe uma grande diferença entre uma seita destrutiva e uma religião não destrutiva (ou uma seita não destrutiva). Uma seita destrutiva (ou totalista) explora a vulnerabilidade de seus membros para ganhar total controle sobre eles, normalmente usando técnicas psicológicas com o objetivo de conseguir algum tipo de controle mental sobre seus membros. Já uma religião ou seita não destrutiva tenta aliviar a vulnerabilidade de seus membros por meio de orientação espiritual, esforçando-se para ajudá-los a ter controle sobre sua vida.
Enquanto a maioria das religiões menos predominantes são inofensivas, certas circunstâncias fazem delas um ninho fácil para práticas destrutivas. A seita californiana O Templo do Povo começou como uma instituição de caridade que possuía uma clínica médica e um programa de reabilitação de drogados. E terminou em suicídio coletivo em Jonestown, Guiana (em 1978), em que cerca de 900 seguidores tomaram uma mistura de suco de laranja com cianureto. O mais impressionante é que aqueles que se negaram a tomar a mistura foram assassinados a tiros. Como algo que começou trazendo tanta esperança às pessoas pode ter se tornado tão negativo? Existe muita especulação a respeito do que aconteceu aos membros do Templo do Povo, mas para a maioria, o que deu errado é o que normalmente acontece com a maioria das seitas destrutivas: a liderança.
![]() Foto cedida por Getty Images Don Hogan Charles / New York Times Co. Reverendo Jim Jones, líder do Templo do Povo, e sua família em 1976 |
![]() Foto cedida por Getty Images David Hume Kennerly Novecentos membros do Templo do Povo (incluindo mais de 200 crianças) mortas depois que Jones comandou um assassinato/suicídio coletivo em 1978 |
Primeiramente, muitas destas religiões são fundadas por uma única pessoa, que retém uma posição de poder exclusivo na organização e o poder tende a corromper até as pessoas mais éticas. No caso do Templo do Povo, existem provas de que seu líder, o reverendo James (Jim)Warren Jones, durante os anos 70, estava abusando de medicamentos que só são vendidos mediante prescrição médica e ficando cada vez mais paranóico. Pelo fato destes grupos operarem fora da sociedade, ninguém inspeciona seus procedimentos, portanto, um líder desonesto e mentalmente instável fica livre para explorar seus seguidores da maneira que bem entender. Além desta estrutura autoritária de liderança, ainda existem algumas características básicas em uma seita destrutiva:
No restante deste artigo, quando nos referirmos às técnicas empregadas pelas seitas, estaremos falando sobre seitas destrutivas e não sobre os pequenos grupos religiosos que não fazem mal a ninguém. Nas seções seguintes, vamos examinar mais de perto as seitas destrutivas e descobrir como funcionam. Vamos começar pela estrutura de liderança.
Nem todas as seitas destrutivas são de natureza religiosa. Podem ser baseadas em objetivos políticos e financeiros também. No fim das contas, o objetivo é subjugar a individualidade dos membros para satisfazer os desejos do(s) líder(es) reforçando sua posição autotitulada de salvador, participando de atividades destrutivas em nome de uma revolução política ou simplesmente enchendo os bolsos do líder com o dinheiro suado dos membros. Existem grupos políticos radicais, esquemas de pirâmide comercial e seminários de auto-ajuda que empregam técnicas semelhantes de recrutamento e lavagem cerebral como os dos cultos religiosos destrutivos, tentando atingir pessoas com certa vulnerabilidade e mantê-las envolvidas. O resultado final é um "convertido" capaz de acabar com a própria vida em nome do capitalismo destrutivo, de convencer todas as pessoas queridas a entrar no mesmo negócio que está acabando com suas economias de toda uma vida, ou de ficar se inscrevendo em uma série interminável de palestras, seminários e retiros que prometem cura psicológica e espiritual, mas que na verdade apenas servem para acabar com sua conta bancária. |
| FAVORITOS | |||||
| Faça do HowStuffWorks a sua página inicial | | | digg it! (?) | | | del.icio.us | |