Schopenhauer: o mundo como vontade e representação
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Schpenhauer afirmou que o mundo que vemos consiste em representação. Isto é, o que percebemos são fenômenos e não a coisa em si, como
Kant já tinha definido. Mas, ao contrário do que imaginava Kant essa representação não se apoiava na realidade final do
númeno, e sim na “vontade” universal. Para Schopenhauer, essa vontade é cega, perpassa todas as coisas e é sempre destituída de objetivo.
Como essa vontade está além do espaço e do tempo e não possui causa, ela provoca toda a miséria e o sofrimento do mundo. E isso só cessa com a morte. Para Schopenhauer, a única esperança é que o ser humano se liberte do poder dessa “vontade” e da carga de individualidade e egoísmo atada a ela. Para chegar a isso, o homem deve ter compaixão e uma abnegação tal como aquela praticada por santos e eremitas. Nesse caminho de renúncia, ele incluiu a apreciação estética das obras de arte, que é a contemplação sem vontade.
Schopenhauer desenvolveu essas ideias em “
O mundo como vontade e representação”, obra-prima de cerca de mil páginas que escreveu durante sua estadia em Dresden. Apesar da crença do autor de que o livro seria no futuro “a fonte e a motivação de uma centena de outros livros”, foram necessárias décadas para que a força e importância dos pensamentos de Schopenhauer fossem descobertos e reconhecidos.
Até obter finalmente esse merecido reconhecimento, o que só aconteceu após o lançamento de seu livro “Parerga et paralipomena”, em 1851, Schopenhauer levou uma vida excêntrica. Na Universidade de Berlim tentou competir de forma mal-sucedida como professor com
Hegel, a quem considerava um impostor. Envolveu-se com uma atriz de 19 anos com quem supostamente pode ter tido um filho – a incerteza deve-se ao fato dela ter, na época, vários amantes. Agrediu fisicamente uma vizinha fofoqueira e foi condenado a indenizá-la pelo resto da vida. Quando uma epidemia de cólera chegou a Berlim – e acabaria causando a morte de Hegel – ele deixou a cidade e na sequência foi morar em Frankfurt onde passou quase três décadas levando uma vida de solteiro de extrema regularidade. Acordava tarde, lia durante três horas, almoçava no prestigioso Englischer Hof on Rossmarkt. À tarde se isolava nas salas de leitura do Casino Society para ler o último exemplar do The Times que havia chegado de Londres e, após, saía para passear com seu poodle. Encerrava sua rotina com mais leituras noturnas.
O reconhecimento que Schopenhauer almejava, desde que publicou “O mundo como vontade e representação”, quando tinha 31 anos, só chegou aos 65. Ele passou então seus sete últimos anos de vida aproveitando a fama que tardiamente alcançou. Schopenhauer autor de alguns dos mais combativos e pessimistas escritos da filosofia morreu em 21 de setembro de 1860, aos 72 anos de idade.
O mundo como vontade e representação Apenas em um ponto tenho acesso a outro mundo que não seja o da representação. Esse ponto está dentro de mim. Quando percebo meu corpo, isso é representação. Mas também estou consciente dos anseios que dão origem a essa representação: isso é a vontade. Apenas dentro de mim tenho de fato esse duplo conhecimento de vontade e representação.
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