O jovem Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer afirmou que todos nós temos a oportunidade de ver além do mundo das aparências, olhando para dentro de nós mesmos. A trajetória desse filósofo combativo e que só atingiu o reconhecimento no fim da vida começou em 22 de fevereiro de 1788, quando nasceu na então cidade prussiana de Danzig (atualmente Gdansk, na Polônia). Aos cinco anos, junto com sua família, mudou-se para Hamburgo. Lá, cresceu como um garoto sofisticado e pretensioso.

Quando tinha dez anos foi estudar na França e aos quinze passou dois anos viajando com os pais pela Europa. Em suas viagens pelo continente, que havia há pouco emergido das Guerras Napoleônicas, o jovem Schopenhauer mergulhava em depressões ao ver a miséria e a destruição humana que os conflitos deixaram como herança. Obrigado pelo pai, teve de abandonar os estudos e se tornar um homem de negócios. Logo depois, seu pai se suicidaria. Essa foi uma fase para Schopenhauer de profunda angústia pessoal. Após o suicídio do pai, sua mãe e irmã foram para a refinada Weimar. Ele permaneceu em Hamburgo trabalhando com o que não gostava até reunir forças e ir estudar em Gotha, mas acabou expulso por escrever um poema sobre um professor alcoolizado.

Antes de ir para a Universidade de Göttingen, Schopenhauer foi viver um tempo com a mãe em Weimar. Ela, que era uma mulher exuberante, tinha se tornado uma estrela dos salões literários locais ao escrever romances leves e se tornar amiga de Goethe. Schopenhauer ficou chocado com a independência e o comportamento da mãe e a relação entre os dois se tornou insustentável. Sua ida para Göttingen para estudar medicina foi um alívio para todos. Na universidade, logo descobriu a filosofia, se interessando principalmente pelos pensamentos de Platão e Kant. Descobriu sua perspicácia filosófica e em 1811 foi para Berlim onde desenvolveu seu doutorado.

Quando voltou para Weimar, voltaram também os conflitos com a mãe. Mas, além das querelas domésticas, Schopenhauer teve a oportunidade também de conhecer Goethe, com quem passou horas conversando. Outro fato importante foi ele ter descoberto a filosofia hindu que iria influenciar profundamente suas ideias. O clima doméstico, no entanto, era insuportável e em 1814 ele deixou definitivamente o lar materno e foi morar em Dresden, onde escreveria sua obra-prima: “O mundo como vontade e representação”.