A juventude de Jean-Paul Sartre

A infância de Jean-Paul Sartre foi bastante marcante para sua vida. Primeiro quando tinha apenas um ano de idade, perdeu o pai, um jovem oficial naval que morreu por conta de uma febre. O menino que havia nascido em 21 de junho de 1905, em Paris, foi com a mãe Anne-Marie morar na casa dos avós maternos. Seu avô, Karl Schweitzer, era um típico patriarca francês, mas não conseguiu ocupar o papel psicológico do pai para o pequeno Sartre. Já sua mãe, ele quase a via como uma irmã.

Além da ausência do pai, a infância do futuro filósofo foi marcada pelo estrabismo e perda parcial da visão em função de um leucoma em seu olho direito. Para completar, sua mãe decidiu se casar novamente e eles mudaram para a distante cidade portuária de La Rochelle, onde o pequeno e pedante Sartre iria viver em conflito com o padrasto autoritário e extremamente burguês.

Na escola local, Sartre era alvo de zombarias. Elegantemente vestido, um verdadeiro janotinha, ele destoava dos colegas. Sua inteligência excepcional o consolava enquanto escrevia, na solidão do seu quarto, histórias românticas de cavalaria, textos autobiográficos e novelas inteiras, em que revelava uma combinação de angústia, violência e extremismo mortal. Sua infelicidade em La Rochelle o faz preferir voltar para Paris e viver com os avós. Aos 15 anos, ele retorna à capital francesa e vai estudar como interno no prestigioso Liceu Henrique IV. Quatro anos depois, Sartre consegue ingressar na Escola Normal Superior, que reúne a nata dos universitários franceses. Lá ele convive com Raymond Aron, Maurice Merleau-Ponty, Claude Lévi-Strauss, Simone Weil e Simone de Beauvoir.

A vida universitária fez Sartre brilhar entre seus jovens colegas intelectuais. Sua rebeldia contra os hábitos burgueses o fez até dispensar os banhos. Nessa época, ele conhece e se apaixona pela encantadora Simone de Beauvoir. Além de ter sido amor à primeira vista, Sartre encontrou nela alguém intelectualmente à sua altura. A revolta de Sartre contra os valores burgueses o impediam, no entanto, de assumir um relacionamento permanente e tradicional. Apesar disso, no fim, Sartre acabou estabelecendo a relação entre eles de forma bem burguesa e capitalista: um “contrato” que previa que eles passariam dois anos de intimidade juntos e depois se separariam por dois ou três anos. Na época, o relacionamento anticonvencional dos dois foi um choque mesmo para a moderna Paris, capital dos amantes.

Após concluir a universidade e servir o exército, Sartre assumiu o cargo de professor na cidade portuária de Havre. Nesse período descobriu a fenomenologia de Husserl. Em 1933, partiu para Berlim para estudar a obra do filósofo alemão. Lá começou a desenvolver suas ideias existencialistas.