O sarcasmo na literatura

Embora não seja possível identificar a primeira vez em que foi utilizado, o sarcasmo, sempre foi importante na literatura (juntamente com a sátira) como uma espécie de humor ou simplesmente uma maneira de expressão. Muitos estudiosos da Bíblia mostram exemplos de sarcasmo nas escrituras sagradas. Eclesiastes 11:9 diz: "alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-te o teu coração nos dias da tua mocidade, anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos. Sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo" (Nova Versão Padrão Americana). Muitos estudiosos bíblicos interpretam isso como "se quer ser julgado por Deus, faça o que quiser".

Marlon Brando as Mark Antony
Hulton Archive/Getty Images
Marlon Brando, interpretando Marco Antônio, fala ao povo de Roma durante a cena do funeral em "Júlio César" (1953)
­William Shakespeare é conhecido pelo seu uso de sarcasmo. Na peça "Júlio César", o personagem de Marco Antônio faz um discurso no funeral de César que começa da seguinte maneira: "amigos, romanos, cidadãos dêem-me seus ouvidos". Nesse discurso, Marco Antônio repete a frase "homem honrado" diversas vezes, referindo-se a Brutus, cujos atos (assassinato de César) foram tudo menos honrados. Tal repetição causa o efeito de inverter completamente o significado literal da frase.  

Os escritores utilizam o sarcasmo para criticar tudo, desde religiões, o governo, filósofos e outros escritores. O autor e poeta britânico do século 14, Geoffrey Chaucer, refere-se ao personagem Friar, em "Contos de Canterbury", como uma pessoa "devassa e alegre" que seduz mulheres e aceita subornos. Trata-se de uma crítica ao sacerdote, que tornou-se muito corrupto.  

O sarcasmo era empregado com freqüência pelo filósofo francês do século 18, Voltaire. Em sua grande sátira, "Cândido", o personagem do título começa sua jornada ao seguir o otimismo de seu professor, o Mestre Pangloss, que acredita que este mundo é "o melhor dos mundos". No entanto, ao longo do livro, Cândido testemunha diversos acontecimentos terríveis e trágicos. Isso ilustra a atitude sarcástica de Voltaire em relação aos filósofos otimistas de sua época.  

Mark Twain
Agência Topical Press/Getty Images
Circa 1900: o escritor e humorista americano, Samuel Langhorne Clemens (1835-1910), que escrevia sob o pseudônimo de Mark Twain­
Mark Twain foi um dos maiores sarcastas americanos. Em 1903, ele escreveu o ensaio "Foi o mundo criado para o homem?" em resposta a Alfred Russell Wallace e sua teoria de que a Terra seria o centro do universo. Ao longo do ensaio, Twain alega concordar com Wallace. Mas termina dizendo que, assim como a Terra tinha sido feita para o homem, a Torre Eiffel tinha sido construída pela pintura de seu pináculo, o que demonstra que Twain estava sendo sarcástico quando fingiu concordar com Wallace.  

Quando o sarcasmo é escrito em vez de falado, o leitor deve ser capaz de identificá-lo no contexto, já que não há entonação de voz. Essa dificuldade pode ser a origem da suposição, "o sarcasmo é a pior forma de sagacidade, mas a melhor forma de inteligência". Alguns autores propuseram o uso de um ponto de sarcasmo, como um ponto de exclamação de ponta cabeça no final de uma frase para denotar que a intenção era sarcástica. O sarcasmo é pouco compreendido na comunicação online. Modos de indicar o sarcasmo em conversas online incluem a utilização de palavras em negrito, aspas ou até mesmo utilizando caracteres como obrigado.  

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