Especulação, politicagem e falta de fiscalização

Os planos e leis que nortearam e norteiam a cidade de São Paulo têm um problema comum a várias leis brasileiras. Muitas vezes, acabam virando letra morta. Um dos principais problemas é a falta de fiscalização e, em muitos casos, a corrupção envolvendo funcionários da prefeitura. Uma boa “caixinha” pode ajudar a burlar qualquer plano diretor ou lei.

Além disso, a especulação imobiliária e a manipulação política, com superfaturamento e desvio de recursos públicos, desenharam uma cidade com grandes problemas estruturais.

Um dos mais emblemáticos casos de manipulação política foi a construção do Fura-Fila, chamado atualmente de Expresso Tiradentes. Iniciado em 1997, o projeto acabou apenas em 2007, depois de quatro administrações municipais. O Fura-Fila consiste em um viaduto expresso para circulação de ônibus por cima da avenida do Estado, ligando o centro à periferia da Zona Leste, mais especificamente, à Cidade Tiradentes. A falta de planejamento é clara. Primeiro, eram cerca de 8 km. A obra acabou com cerca de 32 km. Muito criticado, no início do projeto, por não levar nada a lugar nenhum, o Fura-Fila acabou chegando à periferia, depois de várias mudanças de projetos. Na administração Pitta, o idealizador do projeto, houve várias acusações de superfaturamento. De qualquer modo, o projeto, que no início iria custar R$ 140 milhões, terminou em R$ 300 milhões, mesmo os trens tendo sido substituídos por ônibus.

A especulação imobiliária também inverte as prioridades. É o caso da criação do metrô Vila Madalena. Com graves gargalos de trânsito em locais como o largo de Pinheiros, na zona Oeste. A administração pública decidiu construir, com o convencimento do lobby da indústria da construção, uma estação em outro bairro, a Vila Madalena, então uma área de estudantes e casas simples. A estação foi inaugurada em 1998 e, hoje o bairro é considerado uma das áreas mais caras da cidade, invadida por bares e restaurantes, tornando-se a principal região da boêmia paulistana. A estação de metrô para o largo de Pinheiros, por exemplo, que recebe diariamente milhares de pessoas que vêm dos bairros mais afastados e de outras cidades da Grande São Paulo como Osasco e Barueri, está prevista para o final de 2008, ou seja, dez anos depois da criação da estação na Vila Madalena.