![]() Imagem cedida pelo Museu Paulista Pintura de Oscar Pereira da Silva que retrata a fundação de São Paulo |
![]() Fernando Fernandes/Lunapress O Pátio do Colégio nos dias atuais |
Nas primeiras décadas do século 20, a cidade começa a receber várias levas de imigrantes, boa parte vinda das fazendas de café, outra parte diretamente dos navios do Porto de Santos. Se já existiam vários portugueses, começaram a aparecer mais deles, além de alemães, russos, japoneses, espanhóis, árabes, libaneses e, principalmente, italianos. Aliás, vem do modo de falar dos italianos o sotaque típico do paulistano. E muitas palavras italianas tornaram-se brasileiras como o “ciao” que aqui se transformou em tchau. A influência dos descendentes do império romano é enorme. Amantes das óperas, eles ajudaram a encher os primeiros teatros paulistanos. Um italiano, o produtor Franco Zampari, foi o fundador do importante Teatro Brasileiro de Comédia. A arquitetura paulistana também foi influenciada pelos italianos. Mestres de obras de várias regiões daquele país trouxeram técnicas de construção diferentes dos portugueses, utilizando tijolos de barro cozidos, além de influenciar no design. E a influência continuou pelas outras décadas também.
Política e economicamente, a mão italiana foi forte. Rodolfo Crespi e Francisco Matarazzo foram alguns dos principais industriais do país. Sendo o último proprietário das Indústrias Reunidas Matarazzo, que chegou a ter 350 empresas, a maioria em São Paulo. Assim como os patrões, os empregados italianos foram importantes para a formação social e econômica do Brasil. Com uma tradição anarquista, os italianos que chegavam criaram uma consciência proletária nunca vista antes no país, resultando em greves que foram fortemente reprimidas no início do século. As discussões e ações desses italianos também ajudaram na fundação do Partido Comunista Brasileiro, atual Partido Popular Socialista (PPS).
Além dos italianos, essa diversidade de imigrantes transformou a cara de São Paulo. Os japoneses foram para a Liberdade e depois Saúde. Os judeus para o Bom Retiro e depois Higienópolis. Os alemães para Santo Amaro. Os árabes e libaneses para o Centro e Zona Norte. Hoje, a diversidade culinária e cultural da capital paulista obviamente tem a ver com essa imigração.
Com tanta coisa acontecendo em pouco tempo, a cidade se transformou em palco e representante da modernidade brasileira. É no Teatro Municipal de São Paulo, que artistas como Mário de Andrade, Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Villa Lobos chocaram a sociedade paulista e brasileira com o princípio da antropofagia cultural, na Semana de Arte Moderna de 1922. Esse movimento foi o alicerce para muito do que foi feito culturalmente em São Paulo e no país nos anos seguintes. A modernidade também amplia-se na arquitetura. É de 1929, a fundação do edifício Martinelli (mais um nome italiano) com os então excepcionais 30 andares.
A influência política de São Paulo no início da República é inquestionável. Forte economicamente, o Estado e, conseqüentemente, a cidade influenciavam decididamente as questões nacionais, marcando o primeiro período da República com a política do café com leite, num explícito revezamento do poder entre políticos paulistas (o café) e mineiros (o leite). Essa influência começa a cair com a revolução de 30 e ascensão de Getúlio Vargas, mas não sem a contestação dos paulistas com a revolução constitucionalista de 1932.
É da era getulista um novo impulso urbanístico da cidade com o prefeito Prestes Maia. O engenheiro criou o “Plano de Avenidas”, o primeiro planejamento de vias urbanas da cidade. Sendo ele mesmo responsável por várias obras como o alargamento da avenida Ipiranga e da Itororó (hoje 23 de maio) e Liberdade. Muito do que foi feito na cidade nos anos seguintes foi influenciado pelo pensamento de Prestes Maia, inclusive, as avenidas marginais dos rios Tietê e Pinheiros, que surgiram nos anos 60.
![]() Fernando Fernandes/Lunapress A avenida 23 de maio foi ampliada por Prestes Maia e hoje é uma das mais movimentadas da cidade. |
Crescendo para os lados e acabando com as fronteiras físicas com as cidades vizinhas, São Paulo era, em 2007, uma megalópole com 10 milhões na cidade e mais 7 milhões na Grande São Paulo. Mas sua tendência de crescimento desenfreado pode estar com os dias contados como se verá na próxima página.