Introdução sobre Santo Agostinho


Santo Agostinho
“Dai-me a castidade – mas não ainda”. Essa é uma das mais famosas confissões de Santo Agostinho. Mas não foi graças a ela e a sua vida pecaminosa que Agostinho de Hipona se tornou um dos mais importantes filósofos da história. Sua grande contribuição se deu ao fazer a fusão do cristianismo e do neoplatonismo. A partir daí o cristianismo ganhou uma sólida fundamentação intelectual ao vincular seus ensinamentos à tradição filosófica grega de Sócrates, Platão e Aristóteles.

Nos primeiros séculos da era cristã, a disseminação do cristianismo acontecia distante das filosofias sérias. Até que Agostinho de Hipona tocado pelos elementos místicos do neoplatonismo desenvolvido na doutrina de Plotino o conciliou com o cristianismo de São Paulo e, no fim, com todos os ensinamentos bíblicos. Esse feito possibilitou que a filosofia mantivesse acesa sua chama, ainda que de forma bem fraca, durante toda a Idade Média, também conhecida como Idade das Trevas.

Se me engano, existo

A certeza de que eu existo, de que eu sei isto e de que estou feliz por isto acontece independentemente de qualquer fantasia ou contradição imaginária.
Com relação a essas verdades, não temo qualquer argumento apresentado pelos acadêmicos. Se eles dizem “e se você estiver errado?”, respondo “ainda que eu esteja errado, ainda assim existo”. O ser que não existe não pode se enganar. Por isso, se me engano, existo. Logo, se o fato de estar enganado prova que eu existo, como posso estar errado quando penso que existo, se meu erro confirma minha existência. Por isso, devo existir para que possa estar errado, logo, mesmo que esteja errado, não se pode negar que não o estou na minha certeza de que eu existo. Portanto, não estou errado ao saber que sei. Pois da mesma forma que sei que existo, também sei que sei. E quando me alegro com esses dois fatos, posso acrescentar com igual certeza essa alegria às coisas que eu sei. Pois não estou errado nessa alegria, porque não estou enganado quanto às coisas que amo. Ainda que essas coisas sejam ilusórias, ainda seria um fato eu amar as ilusões.
A cidade de Deus


Durante 1.400 anos, desde a morte de Aristóteles até o surgimento de Tomás de Aquino, apenas Santo Agostinho conseguiu dar uma contribuição significativa à filosofia. Na próxima página, conheça um pouco da vida e da obra desse que é um dos grandes filósofos do cristianismo.

Santo Agostinho
Reprodução

Este artigo é um resumo do livro “Santo Agostinho em 90 minutos”, de Paul Strathern, da coleção “Filósofos em 90 minutos”, publicado pela Jorge Zahar Editor em 1999.