Rousseau: o homem nasce bom

Jean-jacques Rousseau
©iStockphoto.com / Hulton Archive
Jean-Jacques Rousseau nasceu em 28 de junho de 1712, em Genebra, na Suíça. Sua mãe morreu dez dias após o seu nascimento em decorrência de complicações do parto. E o jovem Rousseau foi criado pelo pai, por uma babá, uma tia e outras parentas. Cercado por um universo feminino, ele desenvolveu uma ambivalência sexual e um profundo interesse pela música. Mas, quando ainda era criança, seu pai teve de fugir de Genebra para escapar da prisão e Rousseu foi entregue aos cuidados de parentes pobres. Nesse período, foi submetido a surras e humilhações pela irmã do pastor que cuidava dele. Essas surras acabaram por induzir nele um prazer sexual precoce e fizeram aflorar seu masoquismo.

Após ser aprendiz de gravador em Genebra, Rousseau fugiu quando tinha 16 anos de idade. Seu destino foi Sabóia (então sob controle da Sardenha e atualmente pertencente ao território francês). Lá, ele foi acolhido pela família de madame de Warrens, proprietária de terras que estava separada do marido. Rousseau foi convertido ao catolicismo e educado pela sua nova preceptora. Em 1773, quando ele atingiu os 21 anos de idade, madame Warrens decidiu fazer dele um homem e o seduziu na pequena casa de verão que tinha em suas terras. Rousseau permaneceria em Sabóia até os 30 anos de idade quando se mudou para Paris em busca de fama e fortuna.

Ao chegar a cidade-luz, ele conseguiu um emprego temporário de secretário do embaixador francês em Veneza. Na cidade italiana ficou durante um ano. Nesse tempo teve oportunidade de frequentar a ópera e aprimorar seus já elevados conhecimentos musicais, além de se deleitar com a florescente cultura veneziana em pleno Iluminismo. Ao retornar a Paris, ele envolveu-se com Thérèse Levasseur, uma faxineira analfabeta de 22 anos. Ela seria a companheira de Rousseau até seus últimos dias.

Rousseau passou a colaborar na elaboração da “Enciclopédia”, uma publicação de múltiplos volumes destinada a divulgar as ideias do Iluminismo. Para Rousseau ficaram os verbetes relativos à música. Aos 38 anos de idade, o filósofo ainda não era famoso nem tinha acumulado riquezas. Foi quando surgiu um concurso promovido pela Academia de Dijon que prometia premiar o melhor ensaio que respondesse se o progresso das artes e das ciências tem feito mais para corromper ou para purificar os costumes.

Em resposta, Rousseau escreveu o ensaio “Discurso sobre as ciências e as artes”, no qual afirma que a humanidade era essencialmente boa por natureza, mas fora corrompida pela civilização e pela cultura. Para ele, a cultura trouxe apenas declínio: “as artes, letras e ciências estão entrelaçadas como guirlandas de flores em volta das correntes de ferro que oprimem os homens”. Com esse ensaio ele venceu o concurso e passou a ser cortejado nas altas rodas intelectuais e aristocráticas, assim como seus pensamentos tornaram-se populares. Ao afirmar que o homem nasce bom, ele finalmente tinha alcançado a fama que tanto almejava.