O rodízio gera resultados?

No caso da redução do tráfego nas vias cidades, a resposta é sim e não.

Quando as estatísticas são tratadas percentualmente, sim: há redução efetiva na lentidão do trânsito em torno de 8%, apesar de 25% dos motoristas não respeitarem a regra, segundo a Companhia de Engenharia e Tráfego de São Paulo (CET).

No entanto, em dez anos da implantação do rodízio em São Paulo, seus efeitos sobre a diminuição do trânsito, em números inteiros, foram praticamente anulados. A explicação para o fato é o aumento de aproximadamente 2,9 milhões da frota de veículos em circulação na capital paulista no mesmo período.

Quanto à emissão de poluentes, um estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia mostra que houve uma redução de todos os poluentes durante o rodízio, com exceção do ozônio.

Mas quem mora em São Paulo sabe muito bem o sacrifício que é trafegar pelas ruas da cidade na hora do “rush”, seja qual for o seu destino. Sabe também que a qualidade do ar na região metropolitana está longe de ser satisfatória.

Mas se matematicamente o rodízio gera resultados, por que, na prática, ele é pouco efetivo?

Há quem diga que a culpa é do aumento exponencial da frota de automóveis experimentado pelo País nos últimos anos; outros entendem que o desrespeito dos motoristas perante a regra é fator preponderante para sua derrocada.

As explicações variam, mas a constatação é uma só: o rodízio de veículos, desvinculado de uma política de longo prazo de desenvolvimento de transportes alternativos e diminuição da poluição, não é o suficiente para solucionar os problemas a que se propõe combater, segundo Luis Cifuentes, cientista chileno especialista no combate à poluição atmosférica.

Melhoria dos transportes públicos coletivos, expansão de ciclovias e o fomento ao uso de combustíveis menos poluentes são medidas que, conjugadas com o rodízio de veículos, podem melhorar a qualidade de vida nas cidades.

O exemplo francês

O governo municipal de Paris, França, lançou em julho de 2007 um projeto de fomento do uso de bicicletas como alternativa de transporte urbano.

O programa consiste na oferta de milhares de bicicletas, distribuídas em dezenas de pontos da cidade, que podem ser alugadas a um preço convidativo (os primeiros 30 minutos são gratuitos).

A medida tem impactos imediatos no sentido diminuir a emissão de poluentes na atmosfera e o tráfego na cidade, a custo zero.

Em verdade, a prefeitura até fatura com o sistema. Os bicicletários são administrados por uma agência de publicidade, que fornece as bicicletas gratuitamente e contribui anualmente com mais US$ 4,3 milhões, em troca do controle exclusivo das telas de publicidade posicionadas nos locais.


No Brasil, algumas alternativas surgem do setor privado. Há alguns anos funciona, em São Paulo, o USEBUS. O serviço foi criado por empresários do setor privado e consiste em uma frota de ônibus particulares que percorre itinerários alternativos na cidade.

Calcula-se que 30 carros deixam de circular para cada ônibus. Além disso, o USEBUS planta 30 árvores/ano para cada veículo da frota, para compensar as emissões de CO2.