Biografia de Sir Richard Francis Burton

Autor: 
Sílvio Anaz

Indiana Jones, o maior aventureiro da sétima arte, não passaria de um escoteiro se comparado a Sir Richard Francis Burton. Esse explorador, espião e escritor britânico protagonizou algumas das maiores aventuras da História, numa época cheia de homens brilhantes e intrépidos como o explorador David Livingstone, o cientista Charles Darwin e o coronel Percy Harrison Fawcett, em quem o herói cinematográfico teria se inspirado.

Sir Richard Francis Burton
Reprodução

Richard Burton foi uma mistura de aventureiro e erudito, que durante o século 19 atuou como explorador, espadachim, agente secreto do governo inglês, se infiltrou disfarçado em lugares impensáveis para cristãos, como santuários muçulmanos, aprendeu 29 idiomas e dialetos, fez importantes descobertas antropológicas e científicas e foi poeta, tradutor e escritor.

Entre suas contribuições mais lembradas estão a descoberta da nascente do rio Nilo, na África, as traduções de "As Mil e Uma Noites" e do "Kama Sutra", que publicou e distribuiu em segredo, e sua participação num complô para derrubar o xá da Pérsia. Durante a sua vida, o número de admiradores que conquistou foi proporcional ao número de inimigos que colecionou.    

Os palcos de suas aventuras foram a África, a Ásia e a América do Sul, com uma passagem pelo Brasil, que resultou numa inédita navegação pelo rio São Francisco até o mar e no acompanhamento dos combates da Guerra do Paraguai, ao lado do duque de Caxias.

Burton não se preocupava em ser um exemplo para as criancinhas e era viciado em drogas, como o ópio e o haxixe, e um alcoólatra inveterado. Seus comentários sobre os costumes dos povos que conhecia também não respeitavam a cartilha do politicamente correto, o que resultou em relatos antropológicos importantes sobre a cultura muçulmana e a indiana, principalmente, e em duras críticas aos jesuítas, entre outras. Seu gosto por bordéis e prostitutas também o acompanhou desde a adolescência e contribuiu, junto com seu gênio irascível e seu hábito de desafiar colegas para um duelo, para a sua expulsão da Universidade de Oxford.

O mais incrível é que esse aventureiro libertário, espécie de anti-herói romântico, acabou casado com uma aristocrata puritana que se encarregou de destruir boa parte da obra original que Burton deixou ao morrer. A explicação para isso está na beleza de Isabel Arundell, sua esposa católica e moralista, que segundo os relatos da época era capaz de encantar e levar à loucura até o mais abnegado dos homens. Na próxima página, conheça como foram as primeiras aventuras dele.

O agente secreto

No século 19, o temor de perder a influência sobre a Pérsia (atual Irã) para a Rússia fez os ingleses tramarem contra o xá que estava no poder. Na aliança que fizeram com os ismaelistas (conhecidos como "os assassinos"), descendentes espirituais do quarto califa do Islamismo, primo e genro de Maomé, num complô para derrubar o xá, o então tenente Richard Burton teve um papel essencial. Apesar da antipatia que Burton nutria pelo príncipe-imã aliado dos ingleses, em 1844 ele exerceu sua influência sobre o imã para que ele recrutasse outros chefes tribais persas e liderasse uma revolta contra o xá. No período que agiu tramando contra a Pérsia, Burton disfarçou-se de comerciante, andarilho e religioso muçulmano para transitar por várias tribos islâmicas. Sua herança inglesa emergia discretamente num certo toque dândi que surgia em seus trajes muçulmanos. Mas a eficiência de seus disfarces e de como conseguiu passar-se por muçulmano pode ser medida pelas informações preciosas para os planos ingleses que ele conseguiu em bazares, povoados e junto a religiosos e na precisão dos levantamentos topográficos que fez. Mesmo em suas aventuras de espião, Burton não abandonou seu gosto por drogas e prostitutas. Ele também desafiou rígidos costumes locais, que puniam com a morte várias práticas, e teve amantes persas e indianas.

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