Tecnologia e relações públicas

Enviar comunicados à imprensa ficou muito mais fácil com o e-mail. Com apenas alguns cliques no mouse, um especialista em relações públicas pode enviar dezenas ou milhares de comunicados à imprensa para um grupo específico de jornalistas.

Essa prática, no entanto, aumentou o número de comunicados à imprensa enviados como spam, o que significa que é mais provável que os jornalistas deletem a mensagem antes mesmo de abri-la. Existem algumas empresas que anunciam serviços de envio de comunicados sem spams. Essas empresas afirmam ter contato com repórteres e editores das principais publicações. A empresa escreve e distribui um comunicado à imprensa e recebe o pagamento.

Outro progresso na tecnologia de RP é a própria Internet. Com um site bem desenvolvido, uma empresa, pessoa ou organização pode disponibilizar informações que aprimoram sua imagem e promovem seus projetos.

Os sites também são uma ótima maneira de enviar as informações certas aos jornalistas. A maioria das grandes organizações e empresas inclui uma sala de imprensa em seus sites oficiais. Essa área no site é usada para publicar todos os comunicados à imprensa, a história da empresa, as biografias dos diretores, as fotos digitais de alta resolução e até mesmo kits de imprensa digitais que podem ser baixados. Em vez de procurar a atenção da mídia por meio de comunicados à imprensa enviados em massa, um bom site fará o trabalho de atrair os jornalistas.

Web media room
Imagem cortesia da Marinha dos Estados Unidos
Os sites podem ter salas de imprensa

Um dos maiores desafios de RP representado pela tecnologia é a explosão da mídia social, algumas vezes chamada de Internet 2.0. A mídia social inclui sites de relacionamento, como o Facebook e o MySpace, e comunidades com o conteúdo feito pelo usuário, como o YouTube.

O efeito da Internet 2.0, porém, é muito maior e mais profundo do que o de alguns sites. Agora existe uma geração inteira de jovens que cresceram online. Essa Geração da Internet não sabe como seria a vida sem um telefone celular ou uma conta de e-mail. Eles estão acostumados a procurar online todas as informações de que precisam e desconfiam das opiniões "oficiais" ou de qualquer coisa que tenha cara de propaganda.

Os comunicados à imprensa não chegam a essa geração. Seus formadores de opinião são bloguistas e colegas e não os críticos pagos. Com certeza, é possível enviar e-mails com comunicados à imprensa tradicionais para os bloguistas, mas é provável que essas mensagens visivelmente promocionais sejam ignoradas.

Brian Solis é um consultor de RP e um bloguista ávido que oferece conselhos para empresas de RP ansiosas para explorar a mídia social. Solis enfatiza que a mídia social representa mais um desafio sociológico do que técnico. Essa geração valoriza, acima de tudo, a honestidade, o compromisso e a transparência. Para que uma empresa envie sua mensagem para uma comunidade online, ela precisa fazer parte dessa comunidade. E não como observadora, mas como participante entusiasmada, fã de verdade.

Solis recomenda que as empresas invistam mais em administradores de comunidades, pessoas responsáveis por rastrear e administrar a imagem do cliente online. Esses administradores de comunidades exploram os quadros de mensagens da empresa, lêem os blogs das indústrias do ramo e, o mais importante, comunicam-se com o público. As respostas deles devem refletir as opiniões das pessoas reais.

Isso pode explicar o crescimento dos blogs executivos em muitos sites oficiais de empresas. Os consumidores gostam de saber que existem pessoas reais por trás desses negócios, pessoas que têm opiniões fortes sobre assuntos importantes e que se envolvem com seu público. Essa idéia de um diálogo ativo entre a empresa e o consumidor é importante para conseguir uma boa imagem na mídia social.

Há o perigo, no entanto, de parecer uma empresa ausente tentando fazer o jogo da mídia social. Algumas empresas iniciaram uma prática chamada Astroturfing ou a criação na mídia de falsos movimentos espontâneos do público. Um exemplo de Astroturfing seria postar um vídeo no YouTube que parece ter sido feito por dois nerds em Iowa, mas que na verdade foi produzido em uma sala da Madison Avenue.

Um outro perigo da era virtual é a capacidade de uma notícia negativa ficar fora de controle em questão de horas, em vez de dias. Os blogs pegam a publicidade ruim e fazem propaganda dela para o mundo inteiro. Jornalistas amadores e seus celulares com câmera podem conseguir uma história embaraçosa e, no mesmo dia, colocá-la no jornal das seis. Está ficando cada vez mais difícil para uma equipe de RP combater essas massas bem armadas de formadores de opinião.

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