O que barris de cerveja, hélices de barco, cabos de serviços públicos e uma ponte de metal de 200 toneladas têm em comum? Tudo isso foi roubado por ladrões chamados de recicladores criminosos. Eles pertencem a um grupo crescente de infratores que roubam itens recicláveis (principalmente metais) e vendem em um centro de reciclagem.
A reciclagem criminosa não é recente - existem relatos de ladrões que vendem metais suspeitos há muitos anos. Novo é o aumento no preço do cobre, do alumínio e de outros metais, que fizeram essa prática disparar. O Departamento de Energia dos Estados Unidos calcula que o roubo de metal custa aos negócios norte-americanos cerca de US$1 bilhão por ano [fonte: Smith (em inglês)]. No Brasil, somente com roubo de cargas de cobre, o prejuízo em 2007 foi de R$ 14 milhões, segundo a Associação Brasileira do Cobre. Outros milhões são roubados de outras formas como retirando de cabos das redes elétricas e telefônicas, por exemplo.
Os prejuízos não são apenas financeiros. Muitos dos itens roubados são necessários para o país funcionar. Por exemplo, tirar cobre dos motores dos trens interrompe o serviço e ameaça os passageiros, roubar cabos de serviços públicos causa falta de energia em massa e impede que as pessoas liguem para o serviço de emergências.
Esses ladrões de reciclagem são criativos - ou desesperados. Muitos deles, parecem ser viciados, pegam de tudo, desde vasos de latão dos túmulos nos cemitérios até prateleiras de aço das padarias. Nem mesmo as arquibancadas de estádios e as grades de proteção nas estradas se salvam. Se for de metal, está valendo. No Brasil, os desmanches ilegais de carros também são um grupo interessado nesse assunto.
A reciclagem criminosa tem tido muita publicidade nos últimos anos, já que os roubos aumentam e os ladrões estão mais ousados. Nas próximas páginas, você aprenderá mais sobre esse fenômeno curioso - desde os fatores que levaram a seu rápido crescimento a como as pessoas estão tentando evitá-lo. Você também conhecerá algumas histórias interessantes sobre as reciclagens que deram errado.