Pelo meio ambiente e pela cultura

Apesar de terem existido alguns quilombos em áreas urbanas, a maioria deles era rural. Os quilombolas são descendentes de escravos que se tornavam camponeses livres nos quilombos.

Por isso, o respeito à terra, à natureza e seus recursos está muito presente na vida dos quilombolas. A mata nativa das regiões quilombolas permanece praticamente intacta, a agricultura é de subsistência e a pesca, feita em canoas e redes produzidas à mão. Toda produção obedece rituais seculares. É raro existir nestas comunidades práticas que não sejam sustentáveis.

Assim, os quilombolas renovam sua tradição de locais de resistência. Nesta nova fase da História, resistência à degradação do meio ambiente e à destruição da natureza, ao preservar técnicas de cultivo e pesca que vêm de séculos.

As comunidades quilombolas de Ivaporunduva, Sapatu, André Lopes, São Pedro e Galvão, no Vale do Ribeira, Sul do estado de São Paulo tem uma população composta de descendentes de escravos que chegaram ao Ribeira no século 18 para garimpar ouro e vive da agricultura familiar, principalmente, do cultivo da banana.

Elas formam as Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, que fizeram uma parceria com o Instituto Ambiental Vidágua e o Instituto Socioambiental (ISA) para, em conjunto, trabalharem na Campanha Cílios do Ribeira, pela recuperação das matas ciliares do Vale do Ribeira. A campanha se desenvolve por meio de iniciativas para recuperar as matas ciliares da região, que incluem desde o plantio de mudas, ao treinamento dos agricultores locais para conservação ambiental.

As práticas dos quilombolas são consideradas sustentáveis.
Crédito: Banco de imagens/MDA


A Universidade de Campinas (Unicamp) desenvolve dois projetos nestas comunidades. Um deles, uma planta industrial para o processamento de banana. Os agricultores das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira consideram que a iniciativa agrega valor ao produto, disparado a maior fonte de renda da população local.

Calcula-se que estejam plantados, nos 2,7 mil hectares do quilombo de Ivaporunduva, cerca de 400 mil pés de banana. De acordo com a Unicamp, os moradores vendem em média 600 caixas de 20 quilos por semana. O lucro é rateado entre 80 famílias, em sistema de base cooperativista. Um caminhão com capacidade de carregar 8 toneladas adquirido pela comunidade faz a distribuição do produto na Ceasa, em São Paulo.

A produção é controlada. Mais de 30 agricultores já têm o certificado do Instituto Biodinâmico de Botucatu (IB), que atesta a origem orgânica da banana. O produto da planta industrial é usado, em sua maioria, para fazer doces e balas, alguns deles industrializados.

­Quilombolas no coração da floresta amazônica

A Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná desenvolve o Projeto Manejo. Oriximiná é tem uma área territorial enorme equivalente à metade do Estado de São Paulo, ou 108 mil km2 e fica a 818 km a noroeste de Belém, capital do Pará.

O Projeto Manejo tem o objetivo de estabelecer formas de vida harmônicas entre as 11 comunidades quilombolas da região e a terra e os recursos naturais da região. Entre as iniciativas do projeto estão a educação ambiental, a introdução de técnicas agrícolas sustentáveis e projetos para redução e reciclagem de lixo. As comunidades que vivem na região de Oriximiná têm na agricultura e no manejo sustentável da floresta uma garantia para a sua sobrevivência e das próximas gerações.

Uma das atividades que gera renda para estas comunidades é a extração sustentável da castanha. Já que um dos traços dos quilombolas é serem homens e mulheres que vivem da agricultura de subsistência e uso dos recursos naturais em atividades extrativistas, como a caça e a pesca.