Apesar de terem existido alguns quilombos em áreas urbanas, a maioria deles era rural. Os quilombolas são descendentes de escravos que se tornavam camponeses livres nos quilombos.
Por isso, o respeito à terra, à natureza e seus recursos está muito presente na vida dos quilombolas. A mata nativa das regiões quilombolas permanece praticamente intacta, a agricultura é de subsistência e a pesca, feita em canoas e redes produzidas à mão. Toda produção obedece rituais seculares. É raro existir nestas comunidades práticas que não sejam sustentáveis.
Assim, os quilombolas renovam sua tradição de locais de resistência. Nesta nova fase da História, resistência à degradação do meio ambiente e à destruição da natureza, ao preservar técnicas de cultivo e pesca que vêm de séculos.
As comunidades quilombolas de Ivaporunduva, Sapatu, André Lopes, São Pedro e Galvão, no Vale do Ribeira, Sul do estado de São Paulo tem uma população composta de descendentes de escravos que chegaram ao Ribeira no século 18 para garimpar ouro e vive da agricultura familiar, principalmente, do cultivo da banana.
Elas formam as Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira, que fizeram uma parceria com o Instituto Ambiental Vidágua e o Instituto Socioambiental (ISA) para, em conjunto, trabalharem na Campanha Cílios do Ribeira, pela recuperação das matas ciliares do Vale do Ribeira. A campanha se desenvolve por meio de iniciativas para recuperar as matas ciliares da região, que incluem desde o plantio de mudas, ao treinamento dos agricultores locais para conservação ambiental.
![]() Crédito: Banco de imagens/MDA |
O Projeto Manejo tem o objetivo de estabelecer formas de vida harmônicas entre as 11 comunidades quilombolas da região e a terra e os recursos naturais da região. Entre as iniciativas do projeto estão a educação ambiental, a introdução de técnicas agrícolas sustentáveis e projetos para redução e reciclagem de lixo. As comunidades que vivem na região de Oriximiná têm na agricultura e no manejo sustentável da floresta uma garantia para a sua sobrevivência e das próximas gerações. Uma das atividades que gera renda para estas comunidades é a extração sustentável da castanha. Já que um dos traços dos quilombolas é serem homens e mulheres que vivem da agricultura de subsistência e uso dos recursos naturais em atividades extrativistas, como a caça e a pesca. |