As eleições primárias presidenciais e as convenções partidárias são dois métodos muito diferentes de realizar basicamente a mesma coisa. São meios de cada partido político levar os eleitores do país a escolherem o indicado de seu partido à presidência, ou mais especificamente, são meios de escolher os delegados (representantes dos membros do partido em cada estado) a serem enviados à convenção nacional do partido.

Na convenção nacional de cada partido (realizada no verão, antes da eleição presidencial), o partido escolhe um indicado à presidência com base na delegação do partido na votação da convenção. Os partidos democráticos e republicanos, em cada estado, escolhem os delegados com base nas votações das eleições primárias ou das convenções partidárias nesse estado - os delegados são enviados para representar os eleitores no estado.

Na convenção democrática, a quantidade de delegados do estado é proporcional à quantidade de votos recebidos na eleição primária ou na convenção partidária estadual. O partido republicano utiliza um sistema winner-take-all (vencedores levam tudo), em que o delegado ou candidato com a maioria dos votos em uma eleição primária ou convenção partidária do estado ganha o direito de ser representado por todos os delegados do partido na convenção nacional. O número total de delegados que cada partido pode enviar à convenção nacional é novamente determinado pelas regras do partido. Geralmente, o partido determina a quantidade de delegados por meio de uma fórmula de fatoração na população do estado, a quantidade de oficiais eleitos que estão no poder, e o apoio anterior do estado aos candidatos do partido.

A lei federal não impõe a forma como os estados escolhem seus delegados, de modo que os estados individuais decidem que sistema utilizar. A maioria dos estados usa o sistema de eleições primárias - em que os eleitores de todo o estado simplesmente votam no candidato que apóiam - mas alguns usam o sistema mais antigo de convenção partidária.

O termo convenção partidária aparentemente origina-se de uma palavra algonquiana que significa "reunião dos chefes da tribo", e o ponto principal do sistema de convenção partidária, atualmente, é, na verdade, uma série de reuniões. Para saber como isso funciona, vamos analisar as convenções partidárias do Iowa - o primeiro "evento de votação" do ano de eleição presidencial.

No Iowa, as convenções partidárias são reuniões nos colégios eleitorais locais do partido, em que os democratas e republicanos registrados reúnem-se, discutem os candidatos e votam em seu candidato preferido para a nomeação do seu partido (as convenções partidárias do Iowa ocorrem a cada dois anos - nos anos em que não há eleições presidenciais, os participantes geralmente discutem os problemas da plataforma do partido). Em ambos os partidos, o objetivo do voto da convenção partidária é escolher delegados que participem da convenção de um condado - cada convenção partidária envia um certo número de delegados, com base na população que representa. Os delegados na convenção do condado, por sua vez, escolhem os delegados que vão à convenção congressional estadual do distrito, e esses delegados escolhem os delegados que vão à convenção nacional.

O sistema de votação da convenção partidária republicana no Iowa é relativamente direto: você chega, vota, normalmente através de votação secreta, e as porcentagens do grupo que apóia cada candidato decidem quais os delegados que irão para a convenção do condado.

Os democratas possuem um sistema mais complexo - na verdade, é uma das partes mais complexas de toda a eleição presidencial. Em uma convenção partidária típica, os democratas registrados reúnem-se nos locais de reunião dos colégios eleitorais (existem 1.993 colégios eleitorais em todo o estado), os defensores de cada candidato têm a oportunidade de justificar-se, e os participantes reúnem-se em grupos que apóiam candidatos específicos (os eleitores indecisos também juntam-se a um grupo). Para que um grupo particular seja viável, ele deve ter uma certa porcentagem de todos os participantes da convenção partidária. Se não tiver pessoas suficientes, o grupo se desfaz e seus membros vão para outro grupo. O limite da porcentagem é determinado pelo número de delegados indicados ao colégio eleitoral. Separa-se da seguinte maneira:

  • se o colégio eleitoral possui somente um delegado, o grupo com o maior número de pessoas vence o voto do delegado e pronto;
  • se o colégio eleitoral possui somente dois delegados, cada grupo precisa de 25% para ser viável;
  • se o colégio eleitoral possui somente três delegados, cada grupo precisa de um sexto dos participantes da convenção partidária;
  • se o colégio eleitoral possui quatro ou mais delegados, cada grupo precisa de pelo menos 15% dos participantes da convenção partidária.

Uma vez que os grupos estiverem formados, a próxima regra é calcular a quantidade de delegados no colégio eleitoral que cada grupo (e por extensão, cada candidato) deve ganhar. Aqui vai a fórmula:

    (Número de pessoas no grupo * número de delegados)/ número de participantes da convenção partidária

Por exemplo, digamos que um colégio eleitoral tenha quatro delegados, 200 participantes da convenção e 100 pessoas que apóiem John Doe. Para calcular a quantidade de delegados que você nomeia para John Doe, multiplique 100 por quatro, o resultado será 400. Divida 400 por 200 e terá 2. Assim, John Doe terá dois dos quatro delegados.

A mídia informa o "vencedor", com base na porcentagem de delegados para cada candidato. Essa não é uma forma muito exata, uma vez que realmente seja a convenção estadual que decide os delegados que vão para a convenção nacional, mas, freqüentemente, há um vencedor em evidência no estado após as convenções partidárias.

O sistema de convenção partidária convoluto data de 1796, quando surgiram os partidos políticos americanos, e ele não mudou muito desde então. A maioria dos estados finalmente substituiu esse sistema, pois, já que os partidos políticos se tornaram mais centralizados e sofisticados no início do século vinte, observou-se que os líderes dos partidos ou "chefes" exerciam muito controle sobre a escolha de um indicado. Para dar aos eleitores individuais mais influência sobre o processo de nomeação, os líderes dos partidos criaram o sistema de eleições primárias presidenciais. A Flórida teve a primeira eleição primária em 1901, marcando o início das eleições primárias presidenciais que conhecemos hoje.

As dramáticas reformas e regras da convenção partidária que o partido democrático instituiu em nível estadual nos anos 70 mudaram significativamente o sistema. Criadas para melhorar e abrir as convenções partidárias a todos os membros do partido, as exigências realmente dificultaram ainda mais o controle das convenções e, inadvertidamente, levaram ao avanço das eleições primárias. Para ajudar os estados a coordenarem os dias de eleição dos dois partidos, os republicanos também mudaram seu sistema.

Aqui vão alguns links, em inglês: