Você pode ficar surpreso em saber que a Rússia tem um processo eleitoral presidencial mais direto que os Estados Unidos. Nos Estados Unidos, um sistema chamado Colégio Eleitoral periodicamente permite que um candidato que recebe menos votos populares ganhe uma eleição. De fato, já houve muitos candidatos presidenciais que ganharam no voto popular, mas perderam a eleição porque receberam menos votos eleitorais. Na Rússia, onde tal sistema não existe, o candidato que receba a maioria dos votos populares ganha a eleição.
A cada quatro anos, na terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro, milhões de cidadãos norte-americanos comparecem às cabines de votação para eleger, entre outros cargos, os próximos presidente e vice-presidente de seu país. Seus votos são registrados e contados e os vencedores declarados. Mas os resultados da votação popular não garantem a vitória enquanto o Colégio Eleitoral não depositar o seu voto.
O Colégio Eleitoral é um mecanismo controverso das eleições presidenciais que foi criado pelos idealizadores da Constituição Norte-Americana como um compromisso para o processo eleitoral presidencial. Naquela época, alguns políticos acreditavam que uma eleição puramente popular era muito imprudente, enquanto outros se opunham à idéia de dar ao Congresso o poder de escolher o presidente. O compromisso era estabelecer um sistema de Colégio Eleitoral que permitisse aos votantes votar nos eleitores, que poderiam então depositar seus votos para os candidatos, um sistema descrito no Artigo II, seção 1 da Constituição.
Cada estado tem um número de eleitores igual ao número de seus senadores norte-americanos (em inglês) mais o número de seus representantes dos EUA (em inglês). Atualmente, o Colégio Eleitoral inclui 538 eleitores, 535 para o número total de membros congressistas, e três que representam Washington, D.C., como permitido pela 23º Emenda (em inglês). Na segunda-feira após a segunda quarta-feira de dezembro, os eleitores de cada estado se reúnem nas capitais de seus respectivos estados para oficialmente depositar seus votos para presidente e vice-presidente. Esses votos são então lacrados e enviados ao presidente do Senado que, no dia 6 de janeiro, abre e lê os votos na presença de ambas as casas do Congresso. O vencedor faz o juramento de posse na noite do dia 20 de janeiro.
Muitas vezes, os eleitores depositam seus votos para o candidato que recebeu mais votos naquele estado particular. Alguns estados têm leis que requerem que os eleitores votem no candidato que ganhou no voto popular, enquanto outros eleitores estão vinculados a compromissos com um partido político específico. Porém, houve ocasiões em que os eleitores votaram contra à decisão popular, e não há lei federal ou provisão constitucional contra isso.
Na maioria das eleições presidenciais, um candidato que ganha no voto popular também receberá a maioria dos votos eleitorais, mas esse nem sempre é o caso. Já houve quatro presidentes que ganharam uma eleição com menos votos populares que seus oponentes, mas com mais votos eleitorais.
Aqui estão as quatro eleições nas quais o candidato que venceu a votação popular não ganhou o cargo:
- 1824: John Quincy Adams recebeu mais de 38 mil votos a menos que Andrew Jackson, mas nenhum dos candidatos ganhou a maioria do Colégio Eleitoral. Adams foi declarado presidente quando a eleição foi levada ao Congresso.
- 1876: um apoio quase unânime de pequenos estados deu a Rutherford B. Hayes uma margem de um voto no Colégio Eleitoral, apesar do fato de ele ter pedido a votação popular para Samuel J. Tilden por 264 mil votos. Hayes obteve o apoio de cinco dos seis menores estados (excluindo-se Delaware). Esses cinco estados, mais o Colorado, deram a Hayes 22 votos eleitorais com somente 109 mil votos populares. Nessa época, o Colorado tinha acabado de seu admitido na União e decidiu nomear eleitores em vez de realizar eleições. Assim, Hayes ganhou três votos eleitorais do Colorado sem nenhum voto popular. Essa foi a única vez na história dos Estados Unidos que o apoio de um estado pequeno decidiu uma eleição.
- 1888: Benjamin Harrison perdeu na votação popular por 95.713 votos para Grover Cleveland, mas ganhou na votação eleitoral por 65 votos. Nesse caso, alguns dizem que o Colégio Eleitoral trabalhou da forma como seus criados o planejaram para evitar que um candidato ganhasse uma eleição baseado no apoio de uma região do país. O sul apoiou de forma esmagadora Cleveland, e ele ganhou mais de 425 mil votos em seis estados sulistas. Porém, no restante do país ele perdeu por mais de 300 mil votos.
- 2000: Al Gore teve mais de meio milhão de votos a mais que George W. Bush, com 50.992.335 votos contra os 50.455.156 de Bush. Mas depois da controversa recontagem na Flórida e da interferência da Suprema Corte americana, Bush foi declarado vencedor no estado por 537 votos populares. Como na maioria dos estados, a Flórida tem uma regra segunda a qual o "ganhador-leva-tudo". Isso significa que o candidato que ganha no estado por votação popular também obtém todos os votos eleitorais desse estado. Bush se tornou presidente com 271 votos eleitorais.
Aqui estão duas eleições que foram decididas pelo Congresso:
- 1801: Thomas Jefferson e Aaron Burr, ambos Democrata-Republicanos, receberam o mesmo número de votos eleitorais, apesar do fato de Burr estar concorrendo como candidato a vice-presidente, não à presidência. Após 36 votações sucessivas no Congresso, Jefferson foi finalmente eleito presidente.
- 1825: Como mencionado acima, Andrew Jackson recebeu a maioria da votação popular contra John Quincy Adams, mas nenhum deles recebeu a maioria de 131 votos eleitorais necessários na época para ganhar a presidência. Adams ganhou o voto do Congresso na primeira urna.
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