Exploradores orientais

Uma teoria recente e controversa propôs que outra grande civilização marítima pode ter alcançado a América antes de Colombo. Em 1421, o imperador chinês Ju Di ordenou que uma enorme frota partisse de Nanquim para levar de volta às suas terras alguns soberanos e enviados especiais que o haviam visitado.

A frota deveria “continuar por todo o caminho até o fim do mundo, a fim de cobrar tributo dos bárbaros além dos mares... e atrair todos sob o céu para serem civilizados na harmonia confuciana”. O almirante Jeng He recebeu o comando da frota, integrada por navios de um tamanho e poderio que não tornariam a ser vistos por séculos, equipados com numerosos camarotes.

Os arquivos imperiais registram que uma vasta frota de 317 navios partiu da China no início do século 15. Não é consenso que eles tinham ido além da África, mas um historiador insiste em que alcançaram as praias americanas.

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Junco contestado no rio Sacramento. Possíveis traços do chinês em línguas californianas.

Contra
Indícios escassos.

Tamanho da embarcação
Navios de 240 x 60 metros

Tripulação
Mais de mil.

Os navegantes dispunham de bússolas magnéticas e mapas, e seguiram rotas conhecidas. Nunca foi registrado até onde foi a frota de Jeng He. Quando voltou, dois anos depois, as coisas mudaram. A China iniciou uma política de isolamento que durou 600 anos. Ju Di fora substituído por seu filho, que fechou as portas para o mundo e deixou que as grandes naves apodrecessem.

Um barco da frota de Jeng He teria alcançado a costa oeste do Novo Mundo? Um junco medieval chinês no fundo do rio Sacramento, quase 160 km interior adentro, seria uma prova irrefutável, se os peritos pudessem concordar que ele existiu.

As amostras de madeira encontradas no local foram datadas: 1410 d.C. Fragmentos de madeira também foram enviados para a China, e ali analisados pela Academia Chinesa de Silvicultura. As amostras foram identificadas como da conífera Keteleria, encontrada no sudeste da China, mas não na América do Norte.

Mas questiona-se a validade desses dados. Muitos duvidam que houvesse mesmo um junco no fundo do rio, já que nenhum traço de embarcação foi trazido à superfície. Os fragmentos de madeira são mínimos. Os partidários do junco postulam que o barco encalhou no rio Sacramento, forçando os chineses a se fixar na América. Resquícios de uma aldeia de muro de pedra, a cerca de 110 km do local, apresentam algumas características de construção chinesa.

Outras pistas instigantes foram encontradas. Em 1874, o lingüista Stephen Powers alegou ter encontrado vestígios da língua chinesa entre tribos da Califórnia. Ele argumentou que os chineses se miscigenaram aos nativos e foram vitimados por doenças que os europeus trouxeram no século 15. As autoridades desprezaram suas descobertas.

Missionário intrépido

Os registros chineses mostram que a frota de 1421 já tinha conhecimento da grande massa de terra no outro lado do oceano Pacífico. A primeira menção ao descobrimento da América pode ser encontrada no Volume 231 da "Grande Enciclopédia Chinesa", de Ma Tuan-Lin, historiador do século 13.

Os arquivos contam que no século V d.C. um monge chamado Hoei-Shin deixou a China. Voltou quarenta anos depois com histórias sobre uma terra chamada “Fusang”. Seria a América?

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Certas características de Fusang são exclusivas da América Central. A distância da viagem registrada nos arquivos imperiais é correta.

Contra
Não há provas arqueológicas.

Tamanho da embarcação
Junco de 22 metros (vários mastros, com leme).

Tripulação
Desconhecida.

Em 458 d.C., o sacerdote budista Hoei-Shin (“Compaixão Universal”) deixou a China para propagar sua fé pelo mundo. Ele navegou pelo “Vasto Mar Oriental” e voltou 40 anos depois com histórias incríveis de uma terra a que deu o nome de “Fusang”. O relato detalhado fez com que se especulasse que Fusang era de fato a América.

O sacerdote falou da paisagem árida que encontrara, dominada pela árvore fusang, que deu nome à terra. Afirmou que “seus frutos parecem pêras, mas são vermelhos; a casca é convertida em pano para roupas e trançada em brocado”. A fusang tem semelhança extraordinária com a Agave americana, comum no México até hoje. Essa suposição é apoiada pela asserção de Hoei-Shin de que a área era desprovida de qualquer fonte de ferro: a América Central é uma das poucas partes do mundo em que tal situação ocorre.

Segundo a "Grande Enciclopédia Chinesa", os habitantes de Fusang eram conhecidos como os ichi. Constava dos registros que os ichi “não tinham soldados com cotas de malha, porque não fazem guerra”. Isso se parece com relatos históricos mexicanos sobre a tribo Itza, povo pacífico cujas obras arquitetônicas e artísticas exerceram grande influência sobre a civilização maia.

Modernos estudos náuticos sugerem que a história de Hoei-Shin pode ser genuína. O relato de sua viagem informa que ele percorreu vinte mil li através do Pacífico. Essa distância equivale mais ou menos a oito mil milhas náuticas (14.800 km), o que situa Fusang em algum ponto da América Central. As correntes predominantes constituiriam um guia natural, já que fluem para o norte e em torno da costa leste asiática para o Alasca, e para o sul, ao longo do litoral, até o México.

Jeng He

O almirante Jeng He
era um explorador experiente. Depois de uma viagem à África Oriental, em 1405, o almirante presenteou o imperador com uma girafa, que muitos acreditavam na ocasião ser um animal mítico.

Na volta para a China, em 499 d.C., uma guerra civil impediu Hoei-Shin de obter uma audiência na corte imperial durante três anos. Em 502 d.C. ele finalmente se encontrou com o imperador Wu Ti. Impressionado, o imperador determinou que o depoimento de Hoei-Shin fosse incluído nos arquivos imperiais da dinastia Lang. O mito da viagem de Hoei-Shin passou para a cultura popular, inspirando exploradores chineses posteriores, talvez até mesmo o almirante Jeng He, com as histórias da misteriosa e erma Fusang.

É impossível determinar se os registros chineses são acurados. As histórias podem ter sido exageradas ou deturpadas. E mesmo que Hoei-Shin tenha pisado em solo americano, outros podem tê-lo precedido. Mas já há indícios suficientes para provar que a história da descoberta do continente americano é mais rica e complexa do que as escolas ensinam.

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