A conexão viking
Já as indicações de que mercadores vikings alcançaram o continente americano, por sua vez, são praticamente incontestes. Remontam a menções feitas nas sagas nórdicas, as obras literárias da Idade Média que registram os feitos dos heróis escandinavos.
Segundo "A saga dos groenlandeses", a primeira descoberta se deu por acaso. Um mercador chamado Bjarni Herjulfsson teria partido da Noruega para sua casa na Islândia, em 986 d.C. Ao chegar lá, soube que seu pai, Herjulf, partira para a nova colônia da Groenlândia. Num impulso, decidiu segui-lo. Sob nevoeiro e ventos fortes, ele se perdeu no mar e acabou avistando uma terra coberta por florestas e morros baixos.
Vikings (1000 d.C.) Segundo a lenda nórdica, Leif Ericsson desembarcou nas “Vinlândia”, uma ilha que tem similaridades com a América.
Pró Povoado nórdico em L’Anse aux Meadows; Tostão do Maine; mapa de Vinlândia.
Contra Poucos indícios encontrados no território continental americano.
Tamanho da embarcação 15 metros (uma vela) Tripulação 30-40 |
Bjarni não chegou a desembarcar, mas a história que contou na volta inspirou outros, inclusive Leif Ericsson, que comprou o barco de Bjarni e partiu com 35 tripulantes no ano 1000. Ao que tudo indica, Leif desembarcou em vários lugares, antes de voltar para casa; se os relatos são verídicos, os desembarques se deram no atual território canadense.
Evidências arqueológicas mostram que essa história se aproxima da verdade. Na década de 1960, arqueólogos noruegueses encontraram um povoado nórdico na costa norte da Terra Nova. Em L’Anse aux Meadows, encontraram um lugar que parecia corresponder às descrições de Bjarni e Leif.
Havia sete construções em três complexos, o suficiente para um povoado de cerca de cem pessoas. O estilo dos prédios é típico das casas islandesas por volta do ano 1000. Os testes de radiocarbono apontam para o mesmo período. Não há resquícios assim no território continental, mas três nozes brancas encontradas no povoado só podem ter vindo de uma região mais ao sul da própria América.
Mil e seiscentos quilômetros para o sul, no Maine, uma única moeda nórdica, encontrada na entrada da baía de Penobscot, é um indício de que os colonos nórdicos mantiveram contato com os indígenas que viviam no continente. O chamado Tostão do Maine foi encontrado em 1957 por arqueólogos amadores, entre instrumentos de pedra e cerâmicas de índios. A moeda foi identificada como norueguesa, cunhada pelo rei Olaf Kyrre, entre 1067 e 1092.
O Tostão de Maine A
data da cunhagem do “Tostão do Maine” mostra que os antigos nórdicos
viajaram para a América, mas não prova que seguiram para o sul até o
Maine. O orifício para a passagem de um fio sugere que a moeda foi
pendurada num colar e que poderia ter sido trocada entre os nativos
americanos. |
Por mais fragmentários que sejam tais vestígios, eles convenceram muitos estudiosos de que os vikings alcançaram a América. Mas não parecem ter tido impacto a longo prazo. Não resta traço de sua influência entre os povos indígenas.
Mapeando o passado
Em 1958, um negociante pôs à venda um mapa antigo em pergaminho, mostrando a Europa, a África do Norte, a Groenlândia, e a ilha canadense de Terra Nova. Foi imediatamente adquirido por um milhão de dólares pelo filantropo Paul A. Mellon, que o doou para a Universidade de Yale, cujos especialistas declararam que se tratava de um verdadeiro mapa nórdico, e fixaram sua idade entre 1420 e 1440. Alguns historiadores acham que esse mapa prova que os vikings alcançaram a América. Mas o consenso sobre a questão está longe.
Sobre o mapa O mapa inclui a Islândia e a Groenlândia – mostrada como uma ilha. Seriam alcançadas antes da ilha de Vinlândia, que está claramente indicada, por navios seguindo para oeste. Mas alguns estudiosos acham que, embora o mapa seja genuíno, Vinlândia e essas ilhas foram acréscimos posteriores.
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Uma inscrição relata que Bjarni e Leif Ericsson, navegando para o sul através do gelo, descobriram uma ilha temperada e muito rica, que possuía até vinhas; chamaram-na Vinland – “terra do vinho”.
O cartógrafo a quem se creditava a autoria do mapa, Claudius Clavius, era um dinamarquês, que copiara as informações de um mapa viking anterior. Mas a proveniência do mapa era bastante duvidosa, sem qualquer registro anterior a 1958, quando foi descoberto. Os críticos alegam que os colonos nórdicos da Groenlândia não tinham conhecimento cartográfico, baseando-se em vez disso na tradição oral.
Em 1972, a análise da tinta usada no mapa assinalou a presença de anastase, um pigmento de dióxido de titânio, que só foi sintetizado em 1923. A anastase deixa vestígios de amarelo. Um falsificador teria acrescentado a substância mais tarde, para simular o envelhecimento da tinta de vitríolo de ferro. Portanto, o mapa só podia ser uma hábil
falsificação. Outros cientistas, porém, contestaram a descoberta, provando que a quantidade de anastase presente podia ser explicada por uma contaminação acidental.
A datação do pergaminho por radiocarbono, divulgada em 2002, indicou que ele foi feito em 1434, com um erro relativo de 11 anos, exatamente o período em que os estudiosos de Yale acreditam que o mapa foi desenhado. Concluíram que a linguagem usada e o estilo de escrita combinavam com os registros do Concílio de Basiléia, convocado pela Igreja entre 1431 e 1449.
Incrível demais para ser falso Obviamente é possível que a falsificação tenha sido feita sobre pergaminho medieval genuíno. Mas o falsificador precisaria de uma sorte extraordinária para achar um pergaminho da idade certa. “Se é uma fraude, o falsário foi com certeza um dos criminosos mais hábeis que já existiram”, concluiu um membro da equipe que datou o pergaminho. |
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