Francisco Pizarro não foi o primeiro espanhol a causar a queda de uma civilização da América do Sul. Quando Hernan Cortés veio para a Mesoamérica com suas embarcações e armas, ele dominou o povo asteca com poucos homens. Ele recusou ofertas de paz e coexistência e preferiu o roubo e a escravização.
Cortés navegou de Cuba até a América do Sul com a bandeira espanhola, mas contra os protestos do governador de Cuba, Diego Velázquez, que queria deixar outra pessoa responsável pela expedição. Quando chegou à Espanha, Velázquez retratou Cortés como uma pessoa imprudente em busca de poder. Porém, o Rei Charles V perdoou Cortés depois que ele conquistou os astecas em 1521 e voltou para casa com a riqueza deles.
Apesar do assassinato de dezenas ou até centenas de milhares de astecas, o explorador incentivou outras pessoas a seguirem seus passos. Uma delas foi Francisco Pizarro. Ele também estava em busca de riquezas e seguiu o exemplo de Cortés.
Pizarro, como todos os outros europeus, tinha a grande vantagem das armas de fogo sobre a população indígena que ele queria subjugar. Os incas não tinham sido expostos à pólvora até que os rifles e canhões dos espanhóis fossem apontados contra eles. E, além das vantagens reais que a arma oferecia em relação à lança ou à flecha, ela também ofereceu uma vantagem psicológica aos espanhóis [fonte: Universidade do Estado de Minnesota (em inglês)].
Como no México, a psicologia foi também importante nos Andes. Originalmente, Montezuma pensou que Cortés fosse um deus. Atahualpa, que havia assumido o poder como imperador inca, pensou que Pizarro e seus homens fossem semideuses. Foi devido a isso que Pizarro conseguiu ganhar a confiança de Atahualpa. Ele logo capturou o imperador e pediu resgate por ele.

A brutalidade dos espanhóis tinha se tornado aparente para os incas. As revoltas e as batalhas se tornaram normais e, para acabar com essas brigas, Pizarro usou outra tática de Cortés: a conspiração. O conquistador identificou tribos que eram inimigas dos incas ou que estavam descontentes com o governo inca e estabeleceu alianças com elas.
O armamento superior, a guerra psicológica, uma chegada perfeitamente planejada e aliados nativos certamente ajudaram Pizarro. Porém, lembre-se de que os espanhóis chegaram nos Andes com menos de 200 homens. Mesmo com essas vantagens, ele não teria sucesso se não fosse por outra arma, inesperada pelos dois lados.
A guerra biológica na forma de varíola (em inglês) permitiu que Pizarro conquistasse os incas. A varíola se espalhou rapidamente pelas Américas antes da chegada de Pizarro. Por terem vivido ao lado de animais por milênios, a maior parte da Europa tinha imunidade contra os piores casos de varíola. Porém, as tribos indígenas das Américas não tinham essa vantagem.
A varíola matou o imperador inca Huayna Cupac de maneira inesperada, deixando o império em desordem e guerra. A doença dizimou a população inca, preparando o terreno para que a tropa insignificante de Pizarro conquistasse uma nação que já havia sido grande. "O caos era tão grande que Francisco Pizarro foi capaz de dominar um império do tamanho da Espanha e da Itália juntas com a força de 168 homens" escreveu Charles Mann em 1491 [fonte: Mann (em inglês)].
No fim das contas, as doenças que os europeus levaram com eles causaram mais danos do que suas armas ou sua ambição. Durante 130 anos depois da chegada de Colombo, estima-se que 95% dos habitantes das Américas tenha morrido [fonte: Mann (em inglês)].
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