Para entender como 168 homens destruíram um império com mais de 1 milhão de pessoas, primeiro temos de entender como era a civilização inca.
A sociedade inca usava um sistema de classes inflexível. No topo estava o imperador, chamado de Inca. Seu povo acreditava que ele era um descendente do deus sol, a divindade mais adorada. Abaixo do Inca ficava a sua família real, os conselheiros e assim por diante, até chegar aos plebeus (fazendeiros, trabalhadores e militares).
Os incas surgiram do nada, criando a cidade capital Cuzco há cerca de 1100 d.C. Eles eram expansionistas e faziam bem esse trabalho. Em algumas áreas, eles usaram a força militar para acabar com a resistência entre as tribos que eles tentavam transformar em parte da comunidade. Em outros casos, os incas recompensavam muito bem os grupos que concordavam em se juntar a eles. Depois de alguns séculos, o império reunia centenas de tribos que antes ficavam separadas no interior e no ocidente da América do Sul. Elas foram todas reunidas sob a bandeira comum do imperador Inca e sob uma língua em comum, a Quechua.

Como os incas não tinham uma língua escrita, é difícil para os antropologistas e historiadores discernirem com precisão qual o tipo de modelo econômico usado pela sociedade inca. No início do século 20, ele foi considerado como um estado do bem-estar social que garantia que os cidadãos tivessem o que precisavam ou como um regime ditatorial, que aproveitava o poder do trabalho das pessoas para o seu próprio uso [fonte: Beyers (em inglês)].
Independentemente de a economia ter seguido um desses modelos ou outro completamente diferente, está claro que o governo central teve um papel importante na vida do povo. Em troca, essas pessoas se beneficiavam com a tecnologia inca: elas eram protegidas por fortalezas de pedra feitas com habilidade; percorriam os Andes com facilidade usando as estradas incas; suas plantações cresciam devido aos sistemas de irrigação dos incas; e os alimentos eram colhidos na hora certa seguindo o calendário inca.
O mais impressionante é que o progresso e a expansão de um império por uma área de 4.025 km foram realizados sem a ajuda da roda. Levando-se em consideração o que os incas foram capazes de fazer sem a roda, é espantoso imaginar o que eles teriam realizado com ela. No lugar da roda, os incas usavam corredores, que eram pessoas treinadas para correr longas distâncias em pouco tempo, para realizar o trabalho de comunicação por todo o império. Aparentemente, esses corredores podiam percorrer até 400 km em um único dia [fonte: Universidade de Colorado (em inglês)].
Uma expansão repentina do Império Inca durante o século 15 fez com que ele ficasse grande demais para que o governo central pudesse administrá-lo de maneira apropriada. A situação se tornou incômoda e a rede de fornecimento começou a ter problemas. Rebeliões entre tribos espalhadas estavam muito distantes para serem controladas. E o imperador Inca não conseguia administrar lugares tão distantes.
A estabilidade do império sofreu ainda mais quando o imperador inca, Huayna Cupac, morreu em 1525. O forte soberano deixou dois filhos e não indicou nenhum deles para o papel de sucessor. Uma guerra civil começou entre os dois filhos, Atahualpa e Huscar. Em 1532, a situação dos incas não estava boa e a base do império estava desmoronando rapidamente.
Esse era o estado da civilização inca quando o conquistador espanhol Francisco Pizarro chegou. Ele deu o golpe fatal em uma sociedade que, de qualquer maneira, teria morrido em pouco tempo. Porém, apenas o estado político e econômico não explica o sucesso de Pizarro com tão poucos homens. Descubra os outros fatores envolvidos na queda dos incas na próxima seção.