Os incas acreditavam estar fazendo a coisa certa com o sacrifício de crianças. Para eles, o ritual de sacrifício de crianças perfeitas no topo da Cordilheira dos Andes não era feito sem motivo. Quando uma criança era oferecida pelos pais como um sacrifício, os incas realizavam festas para homenageá-la. Eles se despediam da criança durante o cortejo por vilas em direção ao topo da cordilheira, onde a cerimônia seria realizada.

Trabalhadores construíam uma câmara cerimonial e a criança recebia uma bebida fermentada de milho para afastar o medo. Os cientistas debatem como as crianças morriam, mas o explorador e antropologista Johan Reinhard acredita que elas morriam por causa da exposição aos elementos. Porém, antes disso acontecer, um golpe na cabeça fazia a criança desmaiar, para ajudar a evitar o sofrimento. Os pais da criança muitas vezes voltavam para o local do sacrifício para levar outras oferendas [fonte:Clark (em inglês)].
"Esse era o maior sacrifício que os incas poderiam fazer para agradar os deuses da montanha: oferecer suas próprias crianças nos locais mais altos que os humanos conseguiam alcançar," escreve Leisl Clark, produtora da NOVA [fonte: Clark (em inglês)].
Atualmente, o conceito de sacrifício humano é difícil de ser aceito por muitas pessoas. No entanto, um dos princípios da antropologia é o relativismo cultural: para entender uma cultura, uma pessoa só pode julgá-la de acordo com os próprios padrões dessa cultura, e não de acordo com os padrões de outra. Isso vale para todas as culturas, tanto as do passado quanto as atuais e, de acordo com esse princípio, o foco fica sobre os motivos de um povo.Os incas não sacrificavam crianças por diversão ou porque não as valorizavam. O ritual era um processo solene e nobre, por meio do qual os incas esperavam acalmar seus deuses. As crianças eram sacrificadas porque eram valiosas para os incas: sacrificar uma parte tão importante da sociedade mostrava sua devoção à religião.
Para eles, devia parecer que seus sacrifícios agradavam os deuses. O bem-sucedido Império Inca tinha 4.025 km e ocupava uma área que ia do Equador até o Chile [fonte: Universidade de Colorado (em inglês)]. Ele alcançou uma população de mais de 1 milhão de pessoas apenas 200 anos depois de sua criação. Através de tecnologia, força e união da sociedade, os incas dominaram os Andes. E ainda assim, quando os espanhóis chegaram, foram necessários menos de 200 homens para dominar essa civilização.
Como isso aconteceu? Descubra na próxima seção.
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