Fora daqui

O colapso do sistema prisional não é um problema só do Brasil. Embora aqui sejam muito mais graves eles também acontecem em outros lugares do mundo. Mas, em outros países os governos e a sociedade conseguiram chegar a soluções. Até mesmo na Índia , encontrou-se, através da criatividade e boa vontade, uma forma de minimizar o sofrimento de treze mil detentos, confinados num presídio de segurança máxima em Tihar, próximo a Nova Deli. O presídio (um dos maiores do mundo em tamanho e número de presos) era conhecido como “inferno sem solução”. Uma diretora, sem recursos, decidiu tentar diminuir as angústias e tensões e revolta dos detentos, fazendo cursos de meditação, uma técnica de origem budista usada na Índia há milênios. E não é que deu certo? Aprendendo a relaxar e a meditar (sobre a própria vida e o futuro), os presos mudaram o comportamento e dentro do presídio, diminuindo corrupção e o uso de drogas. Outro ponto muito positivo: o número de reincidência (presos que saem, cometem novos crimes e voltam) caiu quase a zero.

No Japão, o sistema é muito rigoroso e o principal objetivo é que, durante o tempo de permanência atrás das grades, o indivíduo se arrependa do que fez e também chegue a conclusão que a cadeia é um lugar tão ruim que não queira mais voltar. No Japão só 20% dos presos cometem outros crimes quando saem. No Brasil, o índice é reincidência é de 80%. Lá as celas são grandes, organizadas e extremamente limpas e nelas ficam, no máximo seis presos. Todos são obrigados a trabalhar. O dia do preso japonês começa as 6h50min. Às 8h, ele já está na oficina (que pode ser de móveis ou brinquedos) e só pára na hora do almoço durante 40 minutos e, de volta ao trabalho, fica até as 16h40min. Durante o trabalho não é permitido nenhum tipo de conversa. Depois do trabalho o detento volta para a cela e às 17h25 e sai para o jantar. As 20hs volta para a cela de onde só saíra na dia seguinte. Há uma lista do que eles podem e o que não podem fazer. Olhar nos olhos de um policial, por exemplo, é absolutamente proibido e quem desobedece vai para o castigo. Cigarro não é permitido de jeito nenhum. A solitária (para os que desrespeitam as regras) é o pior castigo. Ficará num minúsculo quarto escuro e terá que ficar de pé durante todo o dia. Uma câmera instalada dentro da cela monitora tudo pra conferir que ele não se sentou. Os detentos são algemados (com uma algema de couro) com os braços para trás de modo que perde a possibilidade de usar as mãos para fazer algumas coisas básicas. A comida é colocada dentro de uma tigela e posta no chão. Sem poder usar as mãos ele se ajoelha e come como se fosse um cachorro. No Japão, não há registros de rebeliões ou fugas.

Prisão nos Estados Unidos
Cedida pela Associated Press
Exemplo de cela nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, muitas cadeias têm, como o Brasil, problemas de superlotação, mas os presos têm mais “qualidade” de vida do que aqui. Os presídios são limpos e a alimentação é acima da média. Há salas de cinema, de informática (com equipamentos modernos) e bibliotecas. Celulares não entram porque há bloqueadores. Muitos presos trabalham e quando não há vagas para todos, os que não conseguem colocação, passam por cursos de capacitação profissional ministrados por funcionários do governo, onde aprendem alguma profissão. O presídio Federal de Chicago tem 30 anos e nunca aconteceu lá uma fuga ou rebelião. As unidades americanas destinadas a reabilitação de jovens também funcionam assim e o número de funcionários é sempre superior ou de internos. Em uma delas, em Washington, há 600 funcionários para 80 menores.