Fugas
O alvo, em geral, são delegacias e distritos onde a segurança é menor e onde delegados e investigadores estão ocupados atendendo a população ou investigando algum crime. Então chegam bandos fortemente armados, rendem todo mundo, obrigam os funcionários a abrir os cadeados e libertam seus companheiros. Muitas vezes ainda “humilham” as autoridades, algemando-os e obrigando-os a entrar nas celas onde são trancados enquanto os bandidos fogem.
Os resgates têm acontecido em todo o país. No interior de São Paulo, numa pequena cidade chamada Tapiraí, depois de roubarem um supermercado, os bandidos – na saída – deram de cara com a polícia. Foi um tiroteio danado. Parte do bando conseguiu fugir e dois deles foram presos.
Ao chegarem na delegacia um dos bandidos avisou. “Delegado sou do PCC. Não fico nem uma semana aqui. Meus chegados virão me libertar”. Menos de uma semana depois bandidos armados invadiram a delegacia e levaram o assaltante e seu comparsa... Aproveitando a oportunidade outros presos também fugiram.
Pulando pela janela, serrando grades, fazendo túneis, milhares de presos fogem das cadeias do país todos os anos. O número excessivo de detentos para poucos funcionários reduz a eficiência da segurança e eles conseguem fugir. Uma vez, durante uma reportagem, um delegado chefe de uma importante delegacia especializada paulista me disse: “sem ter o que fazer os presos têm muito tempo para pensar e não pensam em outra coisa a não ser fugir. Fugir é um direito dos presos. Mantê-los atrás das grades é uma obrigação do Estado”.
Rebeliões
Um detento passou mal e não foi atendido pelos funcionários. Raivosos, tensos, revoltados os outros mil e quinhentos presos começam a bater nas grades, a gritar. Logo aparece um líder que sugere que os colchões sejam queimados. Assim começa uma rebelião. Outras vezes ela é planejada porque os presos querem reclamar das más condições em que vivem e fazer motins, chamar a atenção da imprensa, virando notícia e podendo desabafar. Numa cadeia em São Paulo, o motim aconteceu depois que policiais entraram na cadeia para fazer uma revista em busca de celulares e túneis: encontraram os dois. Com os planos de liberdade frustrados, os detentos iniciaram o quebra-quebra. Subiram no telhado e lá de cima jogaram telhas sobre os policiais. Há rebeliões que acontecem, depois de planejadas, só para que um grupo de presos (que dominam o presídio) matem algum desafeto. Inicia-se, então, o quebra-quebra e conseguem chegar até o “seguro” (lugar onde ficam os presos ameaçados de morte ou que pertencem a outro grupo ou facção rival dos presos daquela cadeia) e lá matam, de forma violenta, outros detentos. Não são raros os casos de presos que foram degolados por seus companheiros. Arrancadas as cabeças são colocadas numa estaca e exibidas como troféu no teto do presídio, exibidas para quem quiser ver. Em outras ocasiões usaram a cabeça da vítima degolada para “bater uma bolinha”, jogar futebol no pátio da cadeia. Foi assim em junho de 2005 no Presídio Kwinglio Ferreira, em Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Os três detentos mortos foram degolados. Primeiro suas cabeças serviram para um joguinho de bola, depois, em estacas foram exibidas no alto do presídio.
![]() Agência Estado Cena típica após uma rebelião, os detentos nus e imobilizados |