Introdução sobre o pós-modernismo
A Era Moderna acabou em algum momento do século 20 e desde então o mundo vive na chamada pós-modernidade, com uma
arte pós-modernista, sob a filosofia do pós-modernismo e em condições sociais, políticas e econômicas pós-modernas.
É por isso que você tem tido tanta dificuldade para compreender o mundo a sua volta, certo? Na verdade, não. Na Idade Média ou na Antiguidade as pessoas tinham uma dificuldade parecida (e essa é a principal razão que faz as religiões serem um sucesso de público há séculos). Portanto, a culpa pelas suas incertezas não é porque você deu azar de viver nesse tal de pós-modernismo.
O problema com o pós-modernismo, para começar, é que nem todos que entendem do assunto concordam que ele exista. Os conceitos sobre a tal Era Pós-Moderna têm sido motivo para intensas polêmicas intelectuais.
 Reprodução O rock e a música pop são manifestações artísticas que dissolveram as fronteiras entre cultura popular e alta cultura e entre arte e mercado. Será que eles são pós-modernos então?
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De um lado artistas, pensadores e historiadores defendem que a ascensão do ceticismo, da subjetividade e do relativismo na nossa forma de pensar, a crescente desconfiança em relação à razão, o fracasso das ideologias e mudanças nas formas de acumular capital marcam uma nova etapa para a humanidade, com implicações na filosofia, nas artes, no comportamento, na economia, na política.
De outro, grupos equivalentes rebatem com o argumento de que os fundamentos da modernidade, constituídos desde o Iluminismo, como o capitalismo, a
democracia e o conhecimento científico continuam a vigorar e a ser uma aspiração para a maioria dos povos. Portanto ainda viveríamos sob os ares da Era Moderna.
O primeiro dos desafios para aqueles que acreditam e defendem a condição pós-moderna está justamente em definir o que é a pós-modernidade e que valores presentes nela diferem radicalmente dos da modernidade. Muitos dos intelectuais que tentam fazer isso partem dos pensamentos filosóficos de
Friedrich Nietzsche e
Martin Heidegger.
 © istockphoto.com / Georg Winkens Na arquitetura pós-modernista os prédios seriam ecléticos, não-funcionais e "divertidos"
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Um dos primeiros pensadores a desenvolver uma teoria abrangente e coerente sobre a pós-modernidade foi o filósofo francês Jean-François Lyotard com o seu livro “A Condição Pós-Moderna”, lançado em 1979. Outros pensadores associados à ideia de pós-moderno são
Michel Foucault,
Jacques Derrida e Jean Baudrillard.
Para o intelectual marxista Fredric Jameson, o pós-modernismo representa uma nova fase do
capitalismo, em que uma série de transformações tecnológicas impactou na ascensão de novas formas de relação de consumo e de movimentações do capital financeiro. Já o filósofo Gilles Lipovetsky acredita que, em vez de pós-modernidade, o que estamos vivenciando é justamente uma exacerbação dos valores da Era Moderna. A esse fenômeno ele deu o nome de “hipermodernidade”.
Apesar das discordâncias em relação ao advento ou não da pós-modernidade, o que é amplamente aceito pelos estudiosos é que desde a segunda metade do século 20 está em curso uma série de transformações culturais numa velocidade e num grau nunca antes vivenciados pelo homem. Mas, mesmo entre os defensores da ideia pós-modernista, as tentativas de definir o que seria essa nova etapa da história da humanidade encontram inúmeras dificuldades e limitações. Para muitos estudiosos é possível falar de um pós-modernismo apenas nas artes, enquanto para outros ele seria tão abrangente que implicaria até numa mudança de nossa percepção temporal.
Nas próximas páginas, conheça algumas das tentativas de definição sobre o que é pós-modernismo.