12 de outubro de 1999: a população mundial atinge 6 bilhões de pessoas

Autor: 
Sam Abramson

Menos de três meses antes da virada do século XXI, o planeta Terra deu as boas vindas ao seu sexto bilionésimo habitante. Um pouco depois da meia-noite em Sarajevo, na Bósnia, Fatima Nevic deu à luz a um menino de 3,6 kg. O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) havia determinado esta terça-feira de outubro como o dia aproximado para o nascimento da criança de número 6 bilhões. O bebê bósnio foi recebido pelo Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e oficialmente reconhecido como a criança especial. A UNFPA proclamou este o "Dia dos 6 Bilhões", ou "D6B". Apesar de ser um acontecimento estimado, gerou discussão ao redor do mundo sobre o crescimento da população e sobre as espantosas predições para o futuro.

população mundial
Lusi, SXC
A população continua a crescer e estima-se que atinja 7 bilhões de pessoas em 2015

O "Dia dos 6 Bilhões" chegou 80 dias antes do ano 2000, fornecendo excelentes bases de comparação com populações anteriores. Em apenas 40 anos, a população mundial havia dobrado. Em 100 anos, quadruplicado. Em apenas 12 anos, cresceu em um bilhão. Projeções medianas para o crescimento da população estimavam que em 2050 a contagem chegaria a 9 bilhões, com um aumento de aproximadamente 77 milhões de pessoas por ano. As estatísticas da UNFPA divulgadas em setembro de 1999 também afirmavam que a criança tinha menos de uma chance em 10 de nascer em "relativa prosperidade", e três chances em 10 de nascer em "extrema pobreza".

Os críticos apontavam as tendências alarmantes para o crescimento da população que indicavam que o mundo não estava preparado para um crescimento de 50% na população no meio século que viria pela frente. A chance estimada de 30% de que a sexta bilionésima criança viria de uma família pobre refletia estatísticas globais não uniformes. Enquanto o crescimento havia parado nos países desenvolvidos, continuava nos subdesenvolvidos e a população estava crescendo nos lugares que menos tinham recursos para isso. As nações que tinham problemas com alimentação e saneamento no século XX teriam ainda mais dificuldades com o crescimento dos números, diziam eles. Em um mundo no qual a diferença entre ricos e pobres era a maior da história (os 20% mais ricos possuíam 82 vezes a renda dos 20% mais pobres), o crescimento da população era um peso para as camadas inferiores.

Outros procuraram olhar para os pontos positivos que vieram junto com o marco histórico, argumentando que conforme a população crescia, também crescia a qualidade de vida. O crescimento também significava o aumento de idade da população, e uma população mais velha era o produto de menores taxas de mortalidade infantil. A ênfase na educação levou a menores taxas de fertilidade, particularmente em países desenvolvidos, onde menos crianças geralmente significavam menos problemas de saúde para as famílias. As taxas de fertilidade diminuíram a partir dos anos 60 em todos os continentes, apesar do declínio ser maior em continentes como a América do Norte e Ásia do que na África. Muitos atribuíram esse fato ao progresso e à educação sobre direitos reprodutivos, particularmente o direito da mulher de escolher quando vai ter um bebê. Os índices de mortalidade também eram menores, graças a melhores serviços de saúde e nutrição. Apesar dos desacordos nas estatísticas populacionais, todos concordavam que resolver problemas sociais, econômicos e ambientais seria crucial, dado o aumento da população na entrada do novo século. E para aqueles que desejam contribuir com o sétimo bilionésimo bebê? Ainda há tempo: este sortudo bebê só vai nascer por volta de 2015.