Todos os Estados tem suas polícias de elite, veja os nomes de cada um no mapa:
Algumas das pioneiras são consideradas as melhores como o Bope, do Rio de Janeiro, e o Gate, de São Paulo.
Existem no mundo, pelo menos dez cursos de formação de policiais que são reconhecidos internacionalmente pelo grau de dificuldade que apresentam e dois deles são brasileiros: os do Bope - Batalhão de Operações Policiais Especiais – do Rio de Janeiro e do Gate – Grupo de Ações Táticas Especiais de São Paulo. Estão ao nível de cursos como o da Swat americana e o GIGN da França. Assim, o Bope do Rio e o Gate de São Paulo são a “elite da elite” das policias militares do Brasil possuindo os mais modernos equipamentos e armas do país.
O Bope fluminense
“Caveira!” grita o comandante. “Caveira!” repetem aos berros a tropa enfileirada. É o lema do Bope, o Grupo de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro, a Tropa de Elite da PM carioca. Em 2007, o Bope contava com 400 policiais na tropa. O símbolo do Bope carioca é uma caveira. É o crânio de um esqueleto, com um punhal que a atravessa de cima para baixo e que tem, ainda, cravada em suas laterais, duas pistolas douradas. Significa, para eles, a vitória rápida (da faca) sobre a morte (a caveira).
O Bope (também conhecidos como os “boina-pretas”) foi criado em 19 de janeiro de 1978 e era uma divisão especializada em combater assaltos a bancos. Tinha então trinta homens. Em 1974, um acontecimento fez o governo do Rio respaldar a idéia de ter uma polícia especial, de elite. Foi quando a PM comum falhou no resgate de um major, diretor de uma cadeia, feito refém pelos presos. A PM comum chegou, tentou resolver a crise e liberar o diretor, mas ele foi morto pelos presidiários.
Mas foi em 1988, que o Bope começou a ganhar fama. Os bandidos dos morros cariocas, que ganhavam muito dinheiro com a venda de cocaína, usavam o lucro para comprar armas contrabandeadas pesadas, que nem existiam aqui, como metralhadores e fuzis-AR-15. A polícia “normal” não conseguia vencer a guerra e os traficantes ganhavam força. Aí, chamaram o Bope, que “estreou” fazendo uma operação na favela da Rocinha, onde duas gangues rivais de traficantes brigavam pelo controle das “bocas” (locais onde os bandidos vendem drogas). O Bope foi lá e resolveu a questão. A partir daí não parou mais. Hoje trabalha 24 horas por dia e a missão mais comum e “subir o morro”, entrar em favelas, onde constantemente trocam tiros com marginais. O treinamento do Bope é considerado um dos mais “pesados” entre as tropas de elite do Brasil.
Eles se especializaram em operações de “domínio de morros e favelas” para combater os traficantes e passam por um treinamento de técnicas de combate a guerrilhas, o mesmo que o Exército brasileiro usou, na década de 70, nos conflitos do Araguaia, além de usar táticas de fuzileiros navais das Marinhas americana e brasileira. O treinamento é tão rigoroso que a primeira semana é chamada pelos alunos-soldados de “semana do inferno”.
A uma revista de São Paulo, o coronel comandante do Bope, Alberto Pinheiro Neto, disse, em 2007: “A semana do inferno visa separar o joio do trigo”. A intenção é fazer com que nestes primeiros sete dias de treinamento só fiquem para continuar o curso os soldados realmente determinados, que suportem tudo: de ficar até três horas dentro da água fria de uma represa (de madrugada) a levar tapas na cara.
Quando iniciam o curso, os soldados iniciantes têm o cabelo raspado e passam a ser chamados por números e não mais pelo nome. Durante o aprendizado, os alunos enfrentam exercícios de luta corporal lutando com vários adversários ao mesmo tempo. Também andam horas a cavalo a ponto de ficarem com as nádegas e as pernas cheias de bolhas e feridas. Para que os ferimentos não inflamem eles sentam em bacias com água e sal grosso (salmora). Dizem que dói tanto que muitos chegam a desmaiar.
Os policiais do Bope já deram cursos ensinando suas ações a táticas a policiais de vários outros estados brasileiros: Pará, Espírito Santo, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Amapá, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Santa Catarina e Distrito Federal.
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Também confirmaram os “métodos” de violência usados pelos atores no filme como o de afogar o bandido com um saco plástico e introduzir objetos no ânus para que eles confessem ou dê a informação que os policiais querem. Alguns disseram que o método “telefone” (leia detalhes em métodos violentos) é usado tanto em bandidos como nos aspirantes, os soldados que entram no curso do Bope. |
O Gate paulista
“O Gate cumpre uma missão delicada, indispensável e arriscada. Precisamos ter gente treinada, equilibrada e preparada para emergências”. As palavras foram ditas em 2007 pelo então governador de São Paulo José Serra, em uma cerimônia para homenagear policiais do Gate que conseguiram, depois de 56 horas de negociações, fazer com que os bandidos se entregassem e libertassem uma família (mãe e três filhos) que foram feitos reféns depois de uma tentativa de assalto frustrada. “Quero transmitir, publicamente, nosso agradecimento por toda as ações que o Gate tem desenvolvido na proteção da população de São Paulo, na entrega de melhores condições de segurança para nosso povo”, completou Serra.
O Gate paulista foi criado em 1988 e é a tropa de Elite da Polícia Militar de São Paulo e seus integrantes já fizeram treinamento em paises como Chile, Colômbia, Estados Unidos, Espanha e Israel. Considerado uma das melhores equipes de Elite do Brasil seus integrantes ministram programas de treinamento para policiais do todo o Brasil.
O grupo é composto por esquadrões táticos especiais com equipe de negociação, anti-bombas e snipers (atiradores de elite) e seus policiais participam de treinamentos para desarmamento e remoção de artefatos explosivos, negociação com seqüestradores e resgate de reféns. São chamados em ocorrências onde haja explosivos, rebeliões em cadeias, ataques de bandidos (como aconteceu em São Paulo em 2006 quando o PCC fez ataques na cidade), reféns nas mãos de bandidos e ações com criminosos armados em locais de difícil aceso. Até o final de 2007, o Gate já somava em seu currículo 3.200 atuações.
O esquadrão anti-bombas do Gate tem um robô entre seu sofisticado material de trabalho. O robozinho, chamado de Vanguard, tem a “missão” de se aproximar de bombas e desarmá-las. Um policial, a distância, manobra o robô com controle remoto. Assim evita-se que, em caso de uma explosão, algum policial saia ferido.
Até o rádio do Gate é diferenciado do resto dos rádios comunicadores da polícia de elite do país. É digital e não permite que bandidos ou qualquer pessoa – senão os próprios homens do Gate – possam ouvir as conversas. Isso evita que os bandidos entrem na freqüência e ouçam as ações que o grupo pretende fazer ou os detalhes das que estão em andamento. Se entrar na freqüência do rádio, de tecnologia avançada, o bandido só vai ouvir chiados e ruídos.
Para entrar no Gate um policial precisa já ter trabalhado pelo menos dois anos como PM comum e fazer o curso que dura dois meses e meio onde aprendem invasão tática, manuseio de explosivos, e técnicas de negociação com criminosos. Também tem aulas de tiro de precisão com cursos especiais para atiradores de elite que usam fuzil com mira telescópica nos treinos. O Lema do Gate é “Se eu lutar, siga-me. Se eu morrer, vinga-me. Se eu fugir, mate-me”.