Mulheres na Polícia Militar

Autor: 
Fátima Souza

Em todo o Brasil, cerca de 10% do contingente de Policiais Militares são mulheres. Elas “invadiram” o terreno masculino na PM há muitos anos, vencendo muitos preconceitos.

Mulheres na PM
David Alves/Agência Pará
As mulheres são cerca de 10% do contigente das PMs

Em 2008, a primeira Polícia Feminina do país, a de São Paulo, completou 53 anos. A idéia de empregar mulheres em missões policiais no Brasil surgiu na década de 50 e foi uma mulher, em 1953, que apresentou, no 1º Congresso Brasileiro de Medicina Legal e Criminologia, sua tese da necessidade de criação de uma polícia de mulheres e defendia que as mulheres eram tão competentes quanto os homens para realizar o trabalho de policial. Isso foi em 1953 e a mulher era Hilda Macedo, assistente da cadeira de Criminologia da Escola de Polícia.

Em janeiro de 1955, baseado na idéia de Hilda, o então governador do Estado, Janio Quadros, pediu ao diretor da Escola de Polícia da época, Walter Faria de Queiroz, que estudasse a possibilidade de ser criada uma polícia de mulheres. Em 12 de maio de 1955 foi assinado o decreto 24.548, criando, na Guarda Civil de São Paulo, o Corpo de Policiamento Especial Feminino e foi escolhida para chefiar as mulheres, a própria Hilda Macedo, que tornou-se a primeira comandante da polícia militar mulher. Foi a primeira Polícia de mulheres do país e da América Latina. A elas foi atribuído o trabalho de proteger mulheres e jovens, missão que atendia as necessidades sociais da época.

Mas com a crescente violência, as mulheres passaram a fazer trabalhos como o dos homens e hoje elas portam armas e atuam no policiamento ostensivo, como qualquer PM homem. Também exercem funções no radiopatrulhamento, policiamento escolar, ambiental e rodoviário, no trânsito e no Corpo de Bombeiros. Há mulheres até nos batalhões de Choque das PMs, que, em caso de necessidade, mesmo com baton e maquiagem, mas também com seus capacetes, escudos e cacetetes, partem para cima do agressor.

A coronel dos homens

A primeira mulher a comandar uma tropa masculina no Brasil foi a coronel Luciene Magalhães de Albuquerque, que em 1992 assumiu o comando do 34° Batalhão de Polícia Militar de Minas Gerais, onde, durante três anos, comandou 800 policiais homens. A região onde ela atuava era uma das que registrava os maiores índices de criminalidade na capital mineira, Belo Horizonte.

Ele institui então o Policiamento Comunitário, integrando seus homens com a população e o resultado foi dos melhores: os índices de violência na região caíram em até 90%. Para conseguir a adesão da comunidade, ela e seus policiais foram de rua em rua, de casa em casa, explicando aos moradores a importância de polícia e sociedade caminharem no mesmo rumo. Em 2007,
a coronel Luciene assumiu o cargo de subchefe do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, o terceiro mais importante cargo na hierarquia de corporação.